Reabilitadas 491 salas de aula destruídas por ciclones em província moçambicana

Nampula, Moçambique, 17 nov 2025 (Lusa) — Um total de 491 salas de aula, de mais de quase 4.000 destruídas por três ciclones, foram reabilitadas na província de Nampula, no norte de Moçambique, disse hoje à Lusa fonte da direção provincial de Educação.

“Já foram reconstruídas ou reparadas 491 salas de aula, resultado alcançado graças ao esforço conjunto entre o Governo, parceiros de cooperação e a própria comunidade escolar”, disse à Lusa o porta-voz da direção provincial da Educação de Nampula, Faruk Carimo.

Segundo o responsável, a província de Nampula foi afetada por três ciclones de dezembro a março últimos, que causaram a destruição de um total de 3.939 salas de aula, nomeadamente o ciclone Jude, que destruiu 2.552 salas, Chido, 708, e Dikeledi, também com um total de 679 salas destruídas.

A reabilitação das infraestruturas decorreu em 16 distritos da província, entre os quais Angoche, Eráti, Ilha de Moçambique, Malema, Memba, Meconta, Moma, Mossuril, Mogovolas, Nacala-Porto, Nacala-a-Velha e Ribaué.

A província aguarda pelo lançamento de um concurso do Banco Mundial para a reabilitação de mais 24 salas de aulas, havendo também ações para mobilização de recursos junto de parceiros, explicou Carimo.

“Em 13 distritos já foram formados pontos focais de gestão de riscos e mudanças climáticas, iniciativa também promovida com apoio do Banco Mundial”, acrescentou o porta-voz da direção provincial da Educação de Nampula.

Os três ciclones atingiram Moçambique na última época das chuvas, com registo de quase 200 mortos, tendo sido o ciclone Chido o primeiro e mais grave, ocorrido no final de 2024.

O número de ciclones que atingem o país “vem aumentando na última década”, assim como a intensidade dos ventos, alerta-se no relatório do Estado do Clima em Moçambique 2024, do Instituto de Meteorologia de Moçambique, divulgado em março.

Moçambique está em plena época chuvosa, que se iniciou em outubro e decorre até abril, com as autoridades a alertarem para “chuvas intensas, inundações e ciclones” em diversas regiões do país.

As previsões do plano de contingência para a época chuvosa 2025/2026 em Moçambique apontam que as chuvas poderão afetar 1,2 milhões de pessoas, e para responder à situação o Governo precisa de 14 mil milhões meticais (190 milhões de euros), dos quais até outubro só tinha menos da metade. 

Na terça-feira, o Governo moçambicano anunciou que pelo menos 3.514 salas de aulas e 11.457 casas foram construídas nas zonas afetadas pelos ciclones Idai e Kenneth que atingiram Moçambique em 2019, e assinados 600 acordos de 6,4 milhões de euros para recuperação empresarial.

O período chuvoso de 2018/2019 foi dos mais severos de que há memória em Moçambique: 714 pessoas morreram, incluindo 648 vítimas dos ciclones Idai e Kenneth, dois dos maiores de sempre a atingir o país.

O país africano é considerado um dos mais severamente afetados pelas alterações climáticas no mundo, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa.

AYF/LN // JMC

Lusa/Fim