“Persistência de ações terroristas” é desafio apesar de “estabilização” – PM

Maputo, 13 nov 2025 (Lusa) – A primeira-ministra moçambicana, Benvinda Levi, reconheceu hoje a “persistência de ações terroristas” como um dos principais desafios do país, mas apontou uma “estabilização” no terreno, que tem permitido o “regresso gradual” das populações às zonas de origem.

“Um dos principais desafios que o nosso país regista de momento é a persistência de ações terroristas em alguns distritos de Cabo Delgado, onde estes têm estado a recorrer, entre outros ‘modos operandi’, a ataques esporádicos e dispersão em pequenos grupos”, reconheceu a primeira-ministra, ao intervir no parlamento para prestar informações aos deputados.

“Além de praticarem atos hediondos, os terroristas, ultimamente, têm também recorrido à prática de raptos e sequestros sistemáticos ao longo das vias públicas, nas áreas de exploração mineira e onde ocorrem outro tipo de atividades económicas para posterior pedido de valores monetários em troca da libertação das vítimas feitas reféns”, disse ainda.

Para fazer face à situação, acrescentou, “o Estado moçambicano tem vindo a implementar um conjunto de medidas de caráter securitário e socioeconómico que estão a resultar”, nomeadamente, “na estabilização das áreas anteriormente consideradas críticas, incluindo o estabelecimento de cinturões que garantam segurança às populações, às zonas de produção e às infraestruturas económicas e sociais públicas e privadas”.

Também através do “reforço da vigilância à região fronteiriça, em coordenação com os países vizinhos, para a prevenção do fluxo migratório ilegal, incluindo o de pessoas associadas ao terrorismo” e na reconstrução de infraestruturas básicas e reforço da assistência humanitária “em coordenação com organizações de caráter humanitário e de apoio ao desenvolvimento e redução da exposição de grupos vulneráveis ao extremismo violento com a implementação de políticas”.

“Estes e outros resultados estão a permitir o regresso gradual das populações às suas zonas de origem, a retoma dos serviços sociais básicos, das atividades económicas e produtivas”, sublinhou Maria Benvinda Levi.

Sublinhou que “na sequência do resultado deste conjunto de medidas e ações” a situação de segurança em Cabo Delgado “tem vindo a melhorar”, o que contribuiu “para o recente levantamento da cláusula de ‘força maior’ [megaprojeto liderado pela TotalEnergies], que vigorava desde 2021, a qual suspendia as atividades do projeto de gás natural liquefeito na área 1 da bacia do Revuma”.

“Reconhecendo que apesar destes resultados encorajadores em termos de segurança, ainda temos vários desafios na prevenção e combate ao terrorismo. Por isso, reafirmamos o compromisso e determinação do Governo de continuar a desenvolver ações visando modernizar e capacitar em termos operacionais as nossas forças de defesa e segurança”, concluiu a governante.

A província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.

Um levantamento da organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês) estima que a província moçambicana de Cabo Delgado registou, pelo menos, 12 eventos violentos entre 13 e 26 de outubro, essencialmente envolvendo extremistas ligados ao Estado Islâmico, provocando 18 mortos entre civis.

De acordo com o mais recente relatório da ACLED, dos 2.236 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, um total de 2.061 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).

Estes ataques provocaram em pouco mais de oito anos 6.659 mortos, refere o novo balanço, incluindo as 18 vítimas reportadas em menos de duas semanas em outubro.

A “dispersão da atividade” por Cabo Delgado sugere que estes grupos operam em unidades dispersas, permitindo “aos insurgentes expandir as operações para além dos tradicionais redutos”, refere-se ainda no relatório.

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