
Kiev, 12 nov 2025 (Lusa) — A ministra da Energia ucraniana, Svitlana Grinchuk, apresentou hoje a demissão na sequência de um escândalo de corrupção numa empresa estatal que supervisionava e após um apelo nesse sentido do Presidente Volodymyr Zelensky.
“Escrevi uma carta de demissão. O cargo nunca foi um fim em si mesmo para mim”, anunciou a ministra nas redes sociais, segundo a agência de notÃcias Ukrinform.
Grinchuk alegou que não houve quaisquer violações da lei no âmbito da sua atividade profissional.
“Quanto à s especulações relativas à s minhas relações pessoais, qualquer especulação sobre este tópico é inapropriada. Deve haver um limite para tudo”, acrescentou.
O anúncio ocorreu pouco depois de Zelensky ter anunciado que tinha pedido à primeira-ministra, Yulia Svirydenko, que demitisse Grinchuk e o ministro da Justiça, Herman Galushchenko, que foi responsável pela pasta da Energia até julho.
“O ministro da Justiça e a ministra da Energia não podem permanecer nos cargos”, declarou Zelensky numa mensagem publicada nas redes sociais.
Segundo a imprensa ucraniana, Galushchenko é suspeito de ter feito parte de um suposto esquema de comissões na empresa pública de energia atómica, a Energoatom, quando era ministro da Energia.
Galushenko já tinha sido suspenso de funções pela primeira-ministra, que anunciou entretanto ter enviado uma moção ao parlamento para aprovar as demissões.
“Submetida à consideração da Verkhovna Rada [parlamento] uma moção para demitir o ministro da Justiça, Herman Galushchenko, e a ministra da Energia, Svitlana Hrynchuk”, anunciou a chefe do Governo nas redes sociais, segundo a Ukrinform.
Em declarações citadas pela agência noticiosa ucraniana, Galushchenko disse concordar com a decisão da primeira-ministra, embora aludisse à suspensão de funções e não à demissão.
“Conversei com a primeira-ministra da Ucrânia, Yulia Svirydenko. Concordo plenamente: é preciso tomar uma decisão polÃtica e só depois lidar com todos os detalhes”, afirmou.
“Acredito que a suspensão durante o perÃodo da investigação é um cenário civilizado e correto”, observou Galushchenko, acrescentando que se defenderá legalmente e provará a sua posição.
O caso foi revelado na segunda-feira pelo Gabinete Anticorrupção da Ucrânia (NABU).
O empresário Timur Mindich, ex-sócio de Zelensky e proprietário de 50% da produtora que ambos fundaram quando o atual Presidente era ator, foi apontado como suspeito de liderar o alegado esquema de corrupção.
Mindich fugiu do paÃs horas antes de elementos do NABU iniciarem uma operação de buscas na segunda-feira, durante a qual foram detidos cinco suspeitos, segundo a imprensa ucraniana.
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