Huthis do Iémen sinalizam fim de ataques a Israel e ao transporte marítimo no mar Vermelho

Dubai, 11 nov 2025 (Lusa) — Os Huthis do Iémen sinalizaram que deixaram de atacar Israel e navios de transporte marítimo no mar Vermelho, enquanto um frágil cessar-fogo se mantém em vigor em Gaza, noticiou hoje a agência Associated Press (AP).

Numa carta, sem data, dirigida às Brigadas Qassam do Hamas, publicada ‘online’ pelo grupo, os Huthis deram um sinal de que os ataques foram interrompidos, de acordo com a AP.

“Estamos a acompanhar de perto os desenvolvimentos e declaramos que, se o inimigo retomar a agressão contra Gaza, retornaremos às nossas operações militares em território sionista e restabeleceremos a proibição da navegação israelita no mar Vermelho e no mar Arábico”, lê-se na carta assinada pelo major-general Yusuf Hassan al-Madani, chefe do Estado-Maior militar dos huthis.

Apesar disso, os Huthis não reconheceram formalmente que a campanha militar na região tenha sido interrompida. As forças armadas de Israel, que lançaram ataques para matar líderes huthis, não responderam a um pedido de comentário da AP.

Os rebeldes adquiriram destaque internacional durante a guerra entre Israel e o grupo islamita palestiniano Hamas, com ataques a navios e a Israel, que, segundo o grupo, tinham como objetivo forçar os israelitas a cessar a agressão na Faixa de Gaza.

Desde o início do cessar-fogo, em 10 de outubro, nenhum ataque foi reivindicado pelo grupo rebelde.

A campanha dos Huthis contra a navegação marítima matou, pelo menos, nove marinheiros e afundou quatro navios, além de ter perturbado o transporte marítimo no Mar Vermelho, por onde passava antes da guerra cerca de um bilião de dólares (cerca de 865 mil milhões de euros) em mercadorias por ano.

O ataque mais recente dos rebeldes atingiu o navio de carga holandês Minervagracht em 29 de setembro, matando um tripulante e ferindo outro.

Embora insistam que a campanha tem como alvo navios afiliados ou com destino a Israel, as embarcações atacadas tinham uma relação limitada — quando tinham alguma — com a guerra entre Israel e o Hamas, escreve a AP.

Os Estados Unidos lançaram uma intensa campanha de bombardeamentos contra os rebeldes no início deste ano, que o Presidente norte-americano, Donald Trump, interrompeu pouco antes da viagem ao Médio Oriente em maio último.

A Administração Biden também conduziu ataques contra os huthis, incluindo o uso de bombardeiros B-2 norte-americanos para atingir o que descreveu como ‘bunkers’ subterrâneos usados pelos rebeldes do Iémen.

Entretanto, os Huthis têm ameaçado cada vez mais a Arábia Saudita e feito dezenas de prisioneiros entre trabalhadores de agências da ONU e outros grupos de ajuda humanitária, alegando, sem provas, que estes trabalhavam como espiões — algo negado pela ONU e outras entidades.

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