Ministro admite que 40% das rotas aéreas em Moçambique não são viáveis

Maputo, 07 nov 2025 (Lusa) – O ministro dos Transportes e Logística moçambicano, João Matlombe, admitiu hoje que 40% das rotas aéreas no país não são viáveis, reconhecendo haver uma “concorrência disfuncional” que não serve os interesses do Estado ou da sociedade.

“Temos a LAM [Linhas Aéreas de Moçambique], temos a Mex [Moçambique Expresso, subsidiária da LAM] que também fazem uma operação, uma concorrência disfuncional e não servem os interesses eventualmente da sociedade e também não gera resultados para o próprio Estado”, disse hoje o ministro, em Maputo, na abertura da Auscultação do Plano Diretor de Aviação Civil (2026-2045).

O governante acrescentou que os voos destas companhias estatais partem à mesma hora, nas mesmas rotas, quando, frisou, há rotas não servidas pelas mesmas.

“Os operadores obviamente, cada um decide onde quer operar, quer intervir, mas depois como é que nós fazemos? Porque no nosso mercado, no nosso país, se calhar 40% das rotas não são viáveis”, assinalou.

A posição do ministro surge numa altura em que a LAM – que entretanto tem recorrido às aeronaves da Mex para alguns voos – está em processo de reestruturação, com o aluguer de novas aeronaves e a regressar às ligações internacionais, mas também num momento de críticas públicas às tarifas que aplica nos voos domésticos.

Enquanto o país se debate com a inviabilidade de algumas rotas no transporte aéreo, Matlombe pontuou haver também infraestruturas aéreas ociosas: “estamos com o [aeroporto de] Nacala já há anos, está praticamente um elefante branco, um aeroporto com um potencial bastante grande”.

“Estamos a falar de melhores infraestruturas do que aquelas que são hoje mais demandadas pelo volume de tráfego”, afirmou, defendendo modelos de concessão rentáveis, garantindo que haja mais investimento e atração de mais voos para o país.

João Matlombe reconheceu ainda o papel do Estado na orientação destas operações, pelo facto de estas infraestruturas serem estatais e a Aeroporto de Moçambique ser uma empresa pública, cabendo ao Estado decidir “sobre a política que quer desenvolver sobre a gestão das infraestruturas aeroportuárias”.

“Ninguém vai investir num aeroporto que não tenha basicamente nenhum volume de tráfego, sem ter um mecanismo de compensação com um aeroporto funcional. É preciso encontrar-se um mecanismo de subsídio cruzado que é para rentabilizar e se calhar atrair para que possa haver investimento”, reiterou.

O ministro assumiu o propósito de mudar o setor, para que o passageiro não sinta a viagem “como se fosse um pesadelo”, nem olhe as infraestruturas e os serviços de suporte de todo o sistema, quer das companhias aéreas, quer dos aeroportos, como um incómodo: “sentir que uma viagem de facto é, acaba sendo mais ou menos um motivo de lazer também, que é fundamental como acontece com todos nós quando nós viajamos fora”.

“Essas são as premissas que agente quer no nosso país, viajar no nosso país tem que ser acessível a todos e a qualquer um. E a nossa abordagem no setor, ao nível do Governo é claro: não se faz logística com monopólio, isso está muito mais do que claro”, disse, defendo também que o mercado tem que ser aberto, liberalizado e permitir que mais operadores intervenham.

Sobre a reestruturação da LAM, o ministro admitiu que o processo “infelizmente” não é imediato.

“Se fosse assim tão fácil já teria sido feito há muito tempo, mas reestruturar a LAM é difícil, muito difícil, muito difícil que até hoje ainda estamos a continuar a fazer o trabalho. E nós não vamos concluir, nós iniciámos uma etapa e vai continuar”, explicou, assinalando que toda a reestruturação também tem que ser humanizada, assegurando que as medidas tomadas estejam conscientes dos cerca de 800 trabalhadores empregados na companhia.

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