
Luanda, 06 nov 2025 (Lusa) – Um conjunto de associações cÃvicas de Angola acusou hoje o Governo de “terrorismo de Estado” e exige uma investigação independente e indemnizações à s vÃtimas dos confrontos de julho, nos protestos durante a paralisação dos taxistas.
“O que se passou em Angola nos dias 28, 29 e 30 de julho não foi apenas repressão, foi uma demonstração brutal de que o Estado continua a tratar os seus cidadãos como inimigos; matar menores, prender trabalhadores e cidadãos inocentes, torturar ativistas e fazer desaparecer jovens não é manutenção da ordem, é terrorismo de Estado”, acusam as organizações cÃvicas.
De acordo com o “relatório intercalar sobre violações dos direitos humanos em Angola em 28, 29 e 30 de julho”, durante a paralisação dos taxistas em protesto contra o aumento dos preços dos combustÃveis por via da retirada dos subsÃdios estatais, estas organizações, encabeçadas pelo Movimento CÃvico Mudei, defendem “a abertura imediata de investigações independentes sobre todas as mortes, detenções arbitrárias, torturas e desaparecimentos forçados”
No memso documento pede-se a responsabilização criminal e disciplinar “dos agentes do Estado envolvidos, incluindo os mandantes polÃticos e operacionais, que se proceda à reparação integral das vÃtimas e suas famÃlias, com garantias de não repetição, e que se reforcem os mecanismos de controlo civil sobre as forças de segurança, com transparência e supervisão pública”.
O relatório apresentado pelo movimento resulta de entrevistas aos afetados pela violência que deflagrou durante os protestos, garantindo “dupla verificação” dos relatos e acrescenta-se que “é imprescindÃvel que as autoridades públicas assumam as suas responsabilidades e que a comunidade nacional e internacional continue a apoiar os esforços para a promoção e proteção dos direitos fundamentais no paÃs”.
A paralisação, com o lema “fica em casa”, foi convocada no princÃpio de julho pelas plataformas das associações e cooperativas de taxistas, em protesto contra os aumentos do combustÃvel e da tarifa do táxi.
Durante os tumultos, segundo dados da PolÃcia Nacional, foram registadas 30 mortes, mais de 200 feridos e mais de 1.500 detenções.
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