Governador do Rio de Janeiro diz que policia está muitas vezes em desvantagem face a grupos criminosos

Rio de Janeiro, 05 nov 2025 (Lusa) – O governador do Rio de Janeiro defendeu hoje como proporcional a operação contra o Comando Vermelho na semana passada, com mais de cem mortos, argumentando que a polícia está muitas vezes em “desvantagem perante grupos criminosos de perfil paramilitar”.

Num documento entregue ao Supremo Tribunal, que em abril estabeleceu diversas normas para controlar as operações nas favelas do Rio de Janeiro, Cláudio Castro afirmou que a polícia agiu de forma proporcional, tendo em conta que foi recebida por 500 homens com forte armamento.

O governador brasileiro explicou que este grupo criminoso emprega “táticas típicas de guerrilha urbana” e que, durante a operação, os agentes enfrentaram pessoas vestidas com roupas camufladas que se moviam por “caminhos clandestinos através da vegetação”, além de lançarem granadas através de drones.

O relatório destaca o grande potencial armamentista da organização e cita como exemplos os fuzis automáticos de assalto e de grande calibre confiscados.

Apesar de se tratar da operação mais sangrenta da história do estado do Rio de Janeiro, Castro destacou que todos os mortos – pelo menos 121 vítimas – pertenciam ao Comando Vermelho, uma das maiores fações do narcotráfico do Brasil, “o que indica que a ação policial se limitou exclusivamente a este grupo”, segundo informou a imprensa brasileira.

O governador do Rio de Janeiro também fez referência às dezenas de corpos que os moradores dos complexos da Penha e do Alemão deixaram nas ruas para que pudessem ser reconhecidos pelos seus familiares, depois de as autoridades terem estimado o número de mortos em cerca de 60, alegando que a “ofensiva criminosa contínua” dificultou a estabilização da área.

Apesar das críticas — as últimas por parte do Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que classificou a operação de “massacre” e “desastrosa” — o governador comemorou o sucesso da operação, na qual participaram cerca de 2.500 agentes, e atribuiu o grande número de mortes à reação violenta dos moradores dos dois bairros. Foram realizadas 113 detenções e apreendidas 118 armas e uma tonelada de drogas.

Cláudio Castro, no cargo de governador do Rio de Janeiro desde meados de 2021, tem no currículo quatro das operações policiais mais sangrentas da história do estado. Poucos dias após assumir o cargo, ocorreu o massacre de Jacarezinho, onde morreram 25 pessoas, entre elas um polícia, e um ano depois, o de Vila Cruzeiro, onde foram registadas 23 mortes.

DGYP // ANP

Lusa/Fim