
Lisboa, 05 nov 2025 (Lusa) — Os limites legais de ruÃdo foram ultrapassados em Lisboa em mais de 70% das medições realizadas durante o verão pela associação Vizinhos em Lisboa, colocando a capital portuguesa entre as cidades europeias mais ruidosas, com efeitos globais na saúde.
A associação de moradores Vizinhos em Lisboa desenvolveu o Projeto RuÃdoLX entre 28 de julho e 30 de setembro deste ano, com medições realizadas por voluntários, com um sonómetro portátil, com o objetivo de documentar os nÃveis de ruÃdo em zonas crÃticas da cidade.
No relatório, a associação de moradores sugere medidas à Câmara Municipal de Lisboa para diminuição do ruÃdo, nomeadamente a redução real da velocidade viária durante a noite, um plano municipal de limpeza urbana silenciosa, substituição integral das frotas municipais e da Carris por veÃculos elétricos, criação de limites sonoros nas esplanadas e bares e criação de “Zonas de Silêncio” certificadas em bairros residenciais.
Segundo o relatório, as medições revelaram que a média global de dB(A) (decibéis A, unidade padrão de medida para avaliar a sensibilidade do ouvido humano a nÃveis de pressão sonora) foi de 75,35 dB(A), “cerca de 20 dB acima dos valores recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS)”.
O documento acrescenta que os limites são ultrapassados até no perÃodo noturno, quando 75,5% das medições excederam o limite legal de 55 dB(A).
No entanto, verificou-se que o pior perÃodo relativo foi ao entre as 20:00 e as 23:00, quando se registaram 81% de medições acima do limite.
Os autores sublinharam que as recomendações da OMS indicam que “nÃveis acima de 55 dB(A) durante o dia e 40 dB(A) à noite aumentam o risco de stress fisiológico, distúrbios do sono e doenças cardiovasculares”, embora em Lisboa os nÃveis “nunca desçam abaixo dos 60 dB(A), nem de madrugada”.
Segundo o estudo, as freguesias mais crÃticas foram as de Alvalade, Santo António, Areeiro, Arroios, Misericórdia e Avenidas Novas.
As principais fontes de ruÃdo são os autocarros, as motas, a limpeza urbana (sobretudo durante a noite), as esplanadas e os aviões e, mesmo nos perÃodos em que há menos trânsito, “mais de metade das medições” ficaram acima do limite.
O pico máximo de ruÃdo, de 103,9 dB(A), foi registado junto a um autocarro da Carris, “uma das fontes urbanas mais relevantes de ruÃdo em Lisboa, não pelo número de veÃculos, mas pela repetição e proximidade à s fachadas”.
A associação de moradores defendeu que devem ser adotadas metas quantificadas até 2030, como a redução em 5 dB(A) da média noturna nos eixos principais, um decréscimo de 88% para menos de 60% do número de medições acima do Regulamento Geral do RuÃdo (RGR) e a publicação de dados acústicos em tempo real.
Entre as propostas, a associação defendeu o alargamento da rede permanente de sonómetros automáticos por freguesia, com dados públicos, a criação de “Zonas 30”, com velocidade limitada a 30 quilómetros por hora (Km/H) e a redução real de velocidade durante a noite.
Propõe ainda um plano municipal para uma limpeza urbana silenciosa – com proibição de operações ruidosas entre as 23:00 e as 07:00 em zonas residenciais e recolha noturna apenas em vias de comércio e restauração -, a criação de “zonas de silêncio” certificadas em bairros residenciais e que o limite sonoro nas esplanadas e bares seja de 60 dB até à s 22:00 e de 55 dB depois desse horário.
Defendeu ainda “a substituição integral” dos autocarros da Carris por frotas elétricas, a reorganização das paragens e o controlo de aceleração.
Segundo os moradores, “o ruÃdo não é inevitável”, mas sim “o resultado de escolhas urbanas e de gestão pública”.
O estudo completo está disponÃvel em https://docs.google.com/document/d/1Qac6G7hHCfq5iV797DTB_GkEg-mjbiON7zDlWn1PJec/edit?usp=sharing.
Os dados das medições realizadas estão registados em https://docs.google.com/spreadsheets/d/1kU4Oj4Zzf7l49l7l0mhQJJalV9ClK0kFwX-s_-9SCTs/edit?usp=sharing.
RCS // JLG
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