
Luanda, 31 out 2025 (Lusa) — As exportações angolanas recuaram de 18,4 mil milhões de dólares para 15,2 mil milhões de dólares no primeiro semestre deste ano, uma queda homóloga de 17,5%, enquanto as importações dispararam 11%, segundo um estudo hoje divulgado.
Segundo o Relatório Económico do 1.º Semestre de 2025, divulgado pelo Centro de Investigação Económica (CINVESTEC) da Universidade LusÃada de Angola, neste perÃodo a conta externa de Angola manteve-se “relativamente equilibrada”, mas com sinais de pressão sobre o setor externo.
A balança corrente “continua positiva”, mas as exportações, sobretudo petrolÃferas, “recuaram de forma expressiva. Persistem, porém, défices elevados na balança não petrolÃfera e nas transferências de rendimentos para o exterior”, refere-se no estudo apresentado pelo economista e investigador do CINVESTEC, Agostinho Mateus.
A balança comercial não petrolÃfera registou um défice de 7,6 mil milhões de dólares (6,5 mil milhões de euros), “agravando-se 12% em termos acumulados e 15% no trimestre”, mostra o relatório.
As exportações não petrolÃferas cresceram ligeiramente (5% se comparado com o perÃodo homólogo), atingindo 1,15 mil milhões de dólares (994 milhões de euros), perÃodo em que as importações aumentaram para 8,76 mil milhões de dólares (7,5 mil milhões de euros), 11% em termos acumulados.
“Como resultado, a taxa de cobertura das importações pelas exportações desceu de 13,9% para 13,1%, relevando uma economia ainda fortemente dependente do exterior”, notou o economista.
Nesse perÃodo, as exportações totais de bens e serviços recuaram de 18,4 mil milhões de dólares (15,9 mil milhões de euros) para 15,2 mil milhões de dólares (13,1 mil milhões de euros), uma queda de 17,5%, “refletindo a redução das vendas de petróleo”, refere-se no estudo.
As exportações petrolÃferas, no semestre, representaram 14 mil milhões de dólares, menos 18,9% em relação a igual perÃodo de 2024, “continuando a representar 80,6% das exportações de Angola”.
O gás natural representou 10,1% do total das exportações, com “um ganho relativo à queda do petróleo”, enquanto outros bens e serviços “recuaram 12%”.
O CINVESTEC assinala que a estrutura exportadora de Angola “continua altamente concentrada no petróleo, com pouca diversificação”, quando as importações “continuam diversificadas e revelam realinhamentos importantes”.
Máquinas e equipamentos, serviços de transporte, combustÃveis, bens alimentares, materiais de construção e produtos quÃmicos e farmacêuticos lideraram as importações do paÃs nos primeiros seis meses de 2025.
Entre janeiro e junho de 2025, a balança de rendimentos primários (salários, juros e lucros) apresentou “melhoria significativa”, com défice de 2,9 mil milhões de dólares (2,5 mil milhões de euros), melhorando 24,2% face a 2024.
Ainda segundo o relatório, o investimento angolano no exterior aumentou para 36,7 mil milhões de dólares, mais 6% na comparação homóloga, nomeadamente com depósitos e créditos comerciais, perÃodo em que o investimento estrangeiro em Angola também subiu para 70,4 mil milhões de dólares.
Agostinho Mateus disse ainda, na sua intervenção, que desde 2017 o investimento direto externo caiu de 29,4 para 12,5 mil milhões de dólares (uma queda de 58%), “evidenciando o fim da era petrolÃfera e a menor atratividade do paÃs para investimento produtivo”.
“Em contrapartida, os empréstimos externos cresceram e hoje dominam o passivo externo, reforçando a dependência da dÃvida”, alertou o economista.
Para o CINVESTEC, o futuro da conta externa de Angola dependerá da capacidade de converter a estabilidade estatÃstica em progresso económico real, “com polÃticas consistentes de diversificação, industrialização e competitividade”.
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