
Coimbra, 31 out 2025 (Lusa) — No posto central de comando da Metro Mondego, em Sobral de Ceira, Coimbra, a gestão da operação e segurança do sistema foi buscar soluções a sistemas ferroviários, já que o ‘metrobus’ “é mais do que um autocarro”.
No posto, situado no Parque de Material e Oficinas do Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM), chama a atenção um grande painel, com dois diagramas (um para o troço urbano e outro para o suburbano), no qual é possÃvel ver as diferentes paragens e as interceções do canal que mudam de vermelho para verde à passagem de autocarros, que assumem diferentes cores caso estejam a circular a horas ou atrasados – tudo representado em tempo real.
Naquela sala, faz-se a gestão da operação preliminar no troço urbano entre Vale das Flores e Portagem, que começou em setembro.
Ao mesmo tempo, elementos da Metro Mondego e da Efacec, empresa que assegura os sistemas técnicos e de apoio à exploração do SMM, fazem testes e ensaios no troço suburbano entre o Alto de São João e Serpins (Lousã), que deverá arrancar a sua operação até ao final do ano e cujo diagrama tem uma configuração diferente do canal urbano.
“Isto tem um aspeto gráfico muito ferroviário”, notou o diretor técnico da Metro Mondego, Pedro Sendas.
Além do grande painel onde há também imagens de videovigilância das estações do SMM e dos próprios autocarros elétricos que circulam em via dedicada, há quatro mesas com vários monitores, nos quais elementos da Metro Mondego acompanham toda a operação.
No painel do posto central de comando é notória a diferença entre o sistema urbano, com duas vias, e o sistema suburbano, com uma via única, com vários pontos de cruzamento e obras de arte (pontes e túneis), obrigando a cancelas e a passagens de nÃvel em vários pontos do trajeto, representadas de forma distinta no diagrama.
“A questão da segurança foi sempre muito importante e nós baseámo-nos muito no sistema ferroviário para desenvolver uma solução”, disse Pedro Sendas.
Segundo José Mário Fonseca, da Efacec, houve uma preocupação muito grande com a segurança no troço suburbano, num sistema que deteta se determinada secção da via está ocupada ou não, num sistema de sinalização “igual à quele que se instalaria num metro ligeiro”.
Caso haja indicação de que um determinado troço está ocupado por algum veÃculo que não um autocarro, o sistema “obriga a que o autocarro passe a uma velocidade mais reduzida para ter a certeza” de que aquela secção está desimpedida, disse, referindo que, no caso suburbano, “é um sistema ferroviário em que a única diferença é haver a deteção de um autocarro em vez de um comboio”.
“De resto, toda a lógica de funcionamento é a mesma de um sistema ferroviário”, afirmou José Mário Fonseca.
Quando todo o sistema estiver a funcionar, o posto de comando deverá assegurar um serviço de 24 horas, com um posto para acompanhar a zona suburbana, outro para a zona urbana e um posto de supervisão, afirmou o diretor de operações da Metro Mondego, Nuno Fonseca.
Para o diretor de operações, há desafios novos todos os dias — sobretudo com a operação suburbana — e “é tudo um bocadinho mais complexo do que parece”.
“São muitos sistemas auxiliares e que diferenciam isto de um modo de operação rodoviária normal”, acrescentou Pedro Sendas.
Pedro Carvalho, responsável da Efacec pela formação e colocação de sistemas, aponta para as várias possibilidades dentro do posto de comando: o operador pode cortar a aceleração num veÃculo a partir de um clique do rato face a algum evento extraordinário, monitorizar todos os alarmes gerados por todos os equipamentos do canal ou identificar alguma falha num equipamento.
O operador pode ainda acompanhar as viaturas em tempo real num mapa geográfico ou analisar os diagramas de viagens (com tabela horária carregada) em que vê o tempo teórico e o real.
“Está impecável”, disse Pedro Carvalho, quando olha para um desses diagramas em que os tempos reais batem com os tempos previstos.
O operador, se tiver a necessidade de adicionar viagens, removê-las ou alterá-las, pode fazê-lo a partir do seu posto.
“Dá para gerir no momento e as alterações são instantâneas”, afirmou Pedro Carvalho.
Nos vários monitores, onde se veem diferentes gráficos e diagramas, está também representado um trabalho de integração de todos os sistemas técnicos da Efacec, mas também de outros fornecedores das empreitadas.
“Conseguimos gerir tudo e integrar todos os sistemas, incluindo tecnologia de terceiros”, aclarou Alexandra Quaresma, também da Efacec, que considerou que se está perante um sistema “que é muito mais do que um autocarro”.
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