
Tegucigalpa, 30 out 2025 (Lusa) – A Presidente das Honduras, Xiomara Castro, acusou a oposição de uma conspiração para realizar um “golpe eleitoral”, após a divulgação de uma alegada conversa sobre um plano para boicotar as eleições de 30 de novembro.
“Condeno veementemente esta conspiração criminosa que visa levar a cabo um golpe eleitoral, como declarou o Procurador-Geral da República [Johel Zelaya]”, afirmou hoje Castro nas redes sociais.
Na quarta-feira, o Ministério Público divulgou uma conversa entre o líder do Partido Nacional (oposição) no Parlamento, Tomás Zambrano, e a representante do partido no Conselho Nacional Eleitoral (CNE) das Honduras, Cossette López.
De acordo com gravações divulgadas em conferência de imprensa por Johel Zelaya, Cossette López aponta para uma lista de instituições que iriam declarar que “as eleições não foram regulares”.
López sugeriu ainda o recurso a “pessoas da Embaixada [dos Estados Unidos] nas Honduras e de organizações internacionais”.
“O importante é que seja anunciado que Salvador Nasralla [o candidato presidencial do Partido Liberal] está a ganhar, e não, por favor, Rixi Moncada”, disse López, referindo-se à candidata do partido no poder, Liberdade e Refundação.
“O que nos interessa, os militares nunca estiveram do lado deles [do partido no poder], e vou garantir que são eles a transportar todo o material eleitoral novamente”, acrescentou López.
A Presidente das Honduras ordenou ao exército que “investigue imediatamente a participação de qualquer militar no ativo” no alegado golpe.
Além disso, Xiomara Castro instruiu o ministro dos Negócios Estrangeiros, Javier Bú Soto, para denunciar junto da comunidade internacional o que chamou de “ameaça direta à democracia hondurenha”.
“Os mesmos grupos que violaram a Constituição no golpe de 2009 e perpetraram as fraudes eleitorais de 2013 e 2017 estão agora a tentar suplantar a vontade do povo, gerar o caos e sequestrar a soberania popular”, acrescentou Castro.
“Defenderemos a democracia e a vontade do povo com toda a força da lei, garantindo eleições livres e transparentes, paz social e respeito irrestrito pelo Estado de Direito e pela ordem constitucional”, prometeu a líder hondurenha.
Cossette López rejeitou as acusações do Procurador-Geral, apelidando os áudios de “fabricados” e “um circo armado”, em declarações divulgadas pela rádio hondurenha HRN.
“Sinto-me como se estivesse no ‘metaverso’. Estou calma. Querem afastar-me do Conselho Nacional Eleitoral porque estou a atrapalhar os seus planos. Apareço como uma colombiana, drogada, nestes áudios. Querem destituir-me do meu cargo. É uma violação abominável dos Direitos Humanos. Estão a incitar ao ódio”, acrescentou López.
Também Tomás Zambrano defendeu que teve a voz manipulada “com inteligência artificial”.
“Vamos levar as gravações áudio a especialistas internacionais para provar que foram alteradas. Considero Marlon Ochoa [presidente do CNE e membro do partido de Xiomara Castro] o responsável por este crime”, acrescentou.
“Vamos apelar à comunidade internacional para que certifique a falsidade do material. O desespero do Governo é evidente; o que fizeram é digno de um circo”, declarou Zambrano, num vídeo publicado nas redes sociais.
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Lusa/ Fim
