
Constância, Santarém, 29 out 2025 (Lusa) – A fábrica da Tupperware em Montalvo, Constância, vai ser colocada à venda com um valor mÃnimo de 10 milhões de euros (ME), nove meses após a declaração de insolvência, revelou hoje à Lusa o presidente da Comissão de Credores.
Segundo o advogado Paulo Valério, a operação inclui “o edifÃcio, maquinaria e equipamentos, em pacote integrado”, estando previsto que a adjudicação recaia sobre “quem apresentar a proposta mais alta” para a aquisição da fábrica instalada no concelho de Constância, distrito de Santarém.
A venda da unidade fabril, que laborava na freguesia de Montalvo desde 1980, será promovida pela KPMG e deverá arrancar “nas próximas semanas”, indicou o responsável.
“O processo de venda vai ser promovido pela KPMG, contratada para o efeito pela massa insolvente, estando em causa a venda da empresa como um todo”, explicou Paulo Valério, adiantando que a modalidade será feita através de “propostas em carta fechada, que serão abertas na presença do Administrador Judicial”.
O advogado referiu que foi definido um valor mÃnimo de 10 ME para a transação.
“A fábrica deve ser adjudicada a quem apresentar a proposta mais alta, desde que em conformidade com as condições que venham a ser fixadas, designadamente eventual prestação de caução e prazo para a realização de escritura”, declarou.
A avaliação do complexo industrial situa-se nos 8,59 ME, de acordo com os valores atualizados fornecidos à Lusa.
Os bens móveis estão avaliados em 3,9 ME, os bens imóveis em 4,67 ME e a fração rústica em 12 mil euros.
Relativamente à s dÃvidas laborais, Paulo Valério confirmou que os cerca de 200 trabalhadores que ficaram desempregados são os maiores credores do processo.
“A dÃvida aos trabalhadores é de 9.074 ME”, afirmou, acrescentando que cerca de um terço do montante “foi já liquidado pelo Fundo de Garantia Salarial no último mês”, situação confirmada à Lusa por trabalhadores e pelo presidente do municÃpio, que tem acompanhado o processo de perto.
“É um direito que os trabalhadores têm e que lhes garante algum apoio nesta fase difÃcil, enquanto prossegue o processo de venda da fábrica” de Montalvo, disse Sérgio Oliveira, tendo feito notar que “só com a venda desses ativos é que conseguirão receber as indemnizações a que têm direito”.
O passivo global reconhecido é de 11,47 ME, sendo expectativa da Comissão de Credores que o produto da venda permita “um total ressarcimento dos créditos dos trabalhadores”, embora tal venha a depender “das propostas efetivamente apresentadas”.
Paralelamente, decorre a cobrança de dÃvidas internacionais do universo Tupperware.
“Está também a ser promovida a cobrança de dÃvidas de empresas internacionais do grupo Tupperware, designadamente na Irlanda e na SuÃça, cujo montante ascende a mais de 15 ME”, confirmou.
O futuro da fábrica permanece em aberto, podendo passar pela continuidade industrial no mesmo setor. No entanto, a produção de artigos da marca Tupperware não está garantida.
“A produção especÃfica de produtos Tupperware estaria dependente da titularidade de licença para o efeito, o que não se verifica”, alertou o advogado.
Ainda assim, “nada obsta a que um eventual comprador da fábrica negoceie com os titulares dos direitos de propriedade industrial da marca a obtenção de tal licença, no futuro”.
A fábrica de Montalvo, que chegou a empregar cerca de 260 trabalhadores, deixou de produzir em janeiro e foi declarada insolvente no dia 10 de fevereiro, após a retirada das licenças de produção e comercialização da marca Tupperware em Portugal.
A fábrica da Tupperware em Montalvo era controlada pela sociedade Tupperware Indústria Lusitana de Artigos Domésticos que, por sua vez, era detida em 74% pela Tupperware Portugal – Artigos Domésticos Unipessoal Lda e em 26% pela Tupperware Iberia.
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