Carneiro diz a Montenegro que “não tem desculpas” para falhar compromissos

Lisboa, 27 out 2025 (Lusa) — O líder do PS considerou hoje que o primeiro-ministro “não tem desculpas” para falhar com os compromissos assumidos depois da viabilização do Orçamento do Estado, uma abstenção que Luís Montenegro assegura não corresponsabilizar os socialistas com a governação.

José Luís Carneiro fez hoje a primeira interpelação pelo PS ao chefe do executivo durante o debate do Orçamento do Estado para 2026 (OE2026) na generalidade, tendo reiterado que o seu partido “vai honrar a palavra que deu aos portugueses e ao Governo” e contribuir para a estabilidade política no país, optando pela abstenção.

“E com isso queremos dizer ao senhor primeiro-ministro que não tem desculpas para não cumprir os compromissos que assumiu com todas e com todos os portugueses”, enfatizou.

Recordando que as quatro exigências que foram feitas ao Governo foram cumpridas e o OE2026 não dá suporte às alterações à legislação do trabalho, à lei de bases da saúde, à alteração da natureza pública da segurança social e à alteração à política fiscal, o líder do PS deixou um aviso.

“Em sede própria, no momento político oportuno, daremos combate político a essa vontade de alterar as leis laborais, a segurança social, a proteção social na saúde e também a política fiscal”, antecipou.

Carneiro insistiu que “não é o orçamento do PS”, apontando “falta de ambição para o país” e “um pecado original” que é o facto de “não ter credibilidade”.

“Agora foi o Conselho das Finanças Públicas que confirmou as previsões do PS em relação à debilidade das contas públicas que aqui nos apresenta a este Parlamento”, apontou.

Na resposta, Luís Montenegro cumprimentou o PS “pela decisão tomada e comunicada de viabilização do Orçamento do Estado para 2026”.

“Tem da nossa parte exatamente a compreensão e o entendimento que aqui evidenciou. Nós não queremos a corresponsabilização do Partido Socialista com a governação do país. Eu disse-o com toda a clareza e reafirmo-o”, enfatizou.

O primeiro-ministro vê na abstenção do PS “um sinal de respeito pelo compromisso que foi assumido perante os eleitores de garantir e salvaguardar a estabilidade política”.

“Não posso estar mais de acordo consigo quando diz que este Orçamento não é do PS. Não é mesmo do PS. É muito diferente dos Orçamentos do PS. Por isso é que este Orçamento não aumenta nenhum imposto”, disse.

 

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