
Londres, 27 out 2025 (Lusa) – Os juros exigidos pelos investidores para transacionarem a dívida pública de Moçambique que vence em 2031 desceram hoje para 11,09%, o valor mais baixo desde 2022, sinalizando confiança na evolução económica deste país lusófono africano.
De acordo com a agência de informação financeira Bloomberg, os títulos de Moçambique com vencimento em 2031 valorizaram-se depois de a Eni ter aprovado um projeto de gás natural liquefeito no valor de 7,2 mil milhões de dólares (6,2 mil milhões de euros) e a TotalEnergies ter sinalizado que está pronta para retomar os trabalhos num grande projeto de desenvolvimento no norte do país, retirando a ‘força maior’ que sustentou a paragem do projeto.
Os juros da dívida caíram 14 pontos base para 11,09%, o nível mais baixo desde 2022, escreve a Bloomberg, lembrando que a emissão de dívida atraiu a procura de investidores que procuravam um rendimento mais elevado num panorama em que os países dos mercados emergentes enfrentavam elevados custos de financiamento.
Moçambique tem três megaprojetos de desenvolvimento aprovados para exploração das reservas de GNL da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, ao largo da costa de Cabo Delgado, incluindo um da TotalEnergies (13 mtpa), e outro da ExxonMobil (18 mtpa), que aguarda decisão final de investimento, ambos na península de Afungi.
Até agora, avançou apenas o da Eni, Coral Sul, e no princípio de outubro garantiu-se também o Coral Norte, no ‘offshore’ da província. Os restantes desenvolvem-se em terra.
Num estudo da consultora Deloitte concluiu-se, em 2024, que as reservas de GNL de Moçambique representam receitas potenciais de 100 mil milhões de dólares (86,2 mil milhões de euros).
Os parceiros da Área 4 da Bacia do Rovuma, ao largo de Cabo Delgado, Eni, Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), CNPC, Kogas e XRG assinaram, no princípio do mês, a FID para aquele novo projeto, de 7,2 mil milhões de dólares (6,2 mil milhões de euros), cópia do Coral Sul, também operado pela Eni, que duplicará a partir de 2028 a produção moçambicana de GNL para sete milhões de toneladas anuais (mtpa).
Desde outubro de 2017, a província enfrenta ataques reclamados por movimentos associados ao grupo extremista Estado Islâmico, que chegaram a provocar mais de um milhão de deslocados e fizeram 349 mortos só em 2024, segundo dados do Centro de Estudos Estratégicos de África, instituição do Governo norte-americano que analisa conflitos em África.
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