
Moscovo, 26 out 2025 (Lusa) — O Presidente russo, Vladimir Putin, anunciou hoje o sucesso do teste final de um mÃssil de cruzeiro com propulsão nuclear, elogiando esta arma “única” com um alcance de até 14.000 quilómetros, em resposta ao escudo antimÃsseis dos EUA.
“Os testes decisivos estão agora concluÃdos”, disse Putin num vÃdeo divulgado pelo Kremlin, durante uma reunião com responsáveis militares, ordenando que se comecem a “preparar as infraestruturas para colocar esta arma ao serviço nas forças armadas” russas.
Segundo garantiu, o Burevéstnik (pássaro da tempestade em russo) tem um “alcance ilimitado” e “é uma criação única que mais ninguém no mundo possui”.
Durante o último teste, em 21 de outubro, o mÃssil Burevéstnik permaneceu no ar “cerca de 15 horas”, sobrevoando 14.000 quilómetros, precisou o chefe do Estado-Maior russo, Valéri Guérasimov, acrescentando que “este não é um limite” para este armamento.
“As caracterÃsticas técnicas do Burevéstnik permitem utilizá-lo com precisão garantida contra locais altamente protegidos situados a qualquer distância”, afirmou.
Vladimir Putin anunciou em 2018 o desenvolvimento pelo exército russo destes mÃsseis, capazes, segundo ele, de superar praticamente todos os sistemas de interceção.
Segundo Guérasimov, “durante o seu voo, o mÃssil completou todas as manobras verticais e horizontais”, demonstrando assim “as suas grandes possibilidades na hora de eludir os sistemas antiaéreos e antimÃsseis”.
Putin destacou que se trata de “uma peça de armamento única que mais ninguém tem no mundo” e lembrou que especialistas do mais alto nÃvel previram que tal projeto era “irrealizável”.
“E agora concluÃmos os testes finais”, afirmou orgulhosamente, acrescentando ser preciso construir a infraestrutura necessária para a sua implantação e colocá-lo ao serviço das Forças Armadas, para o que ainda há “muito trabalho pela frente”.
Putin anunciou pela primeira vez em outubro de 2023 um teste bem-sucedido com o Burevéstnik, um mÃssil envolto em controvérsia devido aos numerosos testes falhados realizados no final da década passada.
A Rússia decidiu avançar com o desenvolvimento desses mÃsseis quando os EUA abandonaram, em 2001, o tratado antimÃsseis, assinado por Moscovo e Washington em plena Guerra Fria (1972), para criar o seu próprio escudo antimÃsseis.
Putin dirigiu esta semana manobras das forças nucleares russas por terra, mar e ar, logo após o cancelamento da cimeira de Budapeste com o seu homólogo dos EUA, Donald Trump, devido à recusa de Moscovo em cessar as hostilidades na Ucrânia.
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