Ministro moçambicano diz que sistema multilateral deixa países menos desenvolvidos vulneráveis

Genebra, 20 out 2025 (Lusa) – O ministro da Economia de Moçambique, Basílio Muhate, afirmou hoje que o sistema multilateral mundial deixa os países menos desenvolvidos, como o seu, vulneráveis porque as maiores economias estão a impor reformas que servem os seus interesses.

“O sistema multilateral mundial é perigoso, porque que as maiores economias impõem reformas que servem os seus próprios interesses, e nós, enquanto países menos desenvolvidos, estamos a ser afetados. As nossas estratégias de planeamento estão a ser comprometidas por estas incertezas”, afirmou o ministro moçambicano em Genebra, Suiça, numa intervenção na 16.ª Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e Desenvolvimento, em Genebra.

As estratégias para o desenvolvimento de Moçambique, que incluem “projetos estruturais nos setores da agricultura, da industrialização e noutras áreas”, estão a ser afetadas, afirmou, porque os investidores estão cautelosos devido à incerteza, o que limita o acesso a mercados e os investimentos no país.

O ministro da Economia moçambicano disse que o país quer ultrapassar essas dificuldades e para isso tem um novo plano para os próximos anos “que inclui um grande esforço em reformas”, que têm sido implementadas em diversos setores, incluindo no comércio, investimento e na diversificação económica, onde mencionou o turismo.

“O turismo é um grande desafio para nós”, disse Muhate, que participou na mesa-redonda com o tema “Redefinindo o comércio — um caminho mais amplo para o desenvolvimento, acrescentando que o governo moçambicano está focado “no turismo devido ao potencial que existe no país e ao potencial que o comércio pode ter no setor”.

Moçambique tem vindo a apostar fortemente nos setores da energia, das comunicações e da logística, adiantou.

O ministro moçambicano enfatizou também a importância de reforçar as capacidades locais, formando profissionais para implementar as mudanças e garantir que o país tira proveito do seu potencial.

“Também precisamos de reforçar a nossa capacidade de negociação em matéria de acordos comerciais”, declarou Basílio Muhate, concluindo que Moçambique tem diversos acordos com vários países e, por isso, “o papel da UNCTAD é fundamental” para ajudar nas negociações, mas também como consultor dando assistência técnica para as reformas que o pais está a promover.

A 16.ª sessão da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD16) decorrerá de 20 a 23 de outubro, em Genebra, Suíça, com o tema “Moldar o futuro: impulsionar a transformação económica para um desenvolvimento equitativo, inclusivo e sustentável”.

 

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