
Viseu, 16 out 2025 (Lusa) — O presidente da Câmara de Viseu eleito no domingo, João Azevedo (PS), disse hoje que o diálogo está na base da gestão do mandato e rejeitou qualquer acordo com a oposição que tem mais eleitos do que o seu partido.
“Nós temos de olhar para isto de uma forma muito tranquila. Quem quiser fazer isto por bem, terá toda a nossa solidariedade polÃtica. Quem achar que vem para aqui com táticas polÃticas, eu farei o combate duro na rua, que é onde eu estou bem, junto das pessoas”, garantiu João Azevedo, em entrevista à agência Lusa.
Nas eleições autárquicas de domingo, o PS venceu a Câmara de Viseu com mais 799 votos do que o PSD. Os socialistas conquistaram 42,28% do eleitorado (24.095 votos) e quatro mandatos.
Na oposição ficou o PSD, também com quatro mandatos, ao conseguir 40,88% (23.296 votos), e o Chega elegeu um lugar com 8,53% (4.859 votos) dos 56.989 votantes, num universo de 92.583 inscritos.
Na segunda-feira, o candidato eleito pelo Chega, Bernardo Pessanha, revelou à Lusa que rejeita coligações, não aprovará medidas socialistas e só concordará com o que for bom para os viseenses. E disse que pedirá uma auditoria às contas.
Hoje, João Azevedo disse que o Chega pode fazer “aquilo que entender” em relação à s contas autárquicas, mas o novo executivo não tem essa intenção.
“Nós respeitamos os serviços da Câmara Municipal e o legado que recebemos. As contas são públicas. A Câmara Municipal de Viseu tem estabilidade financeira, está equilibrada”.
Sobre as medidas a aprovar, João Azevedo questionou se “os vereadores da oposição estarão contra um investimento das áreas empresariais para criação de emprego” ou “a gratuitidade dos transportes públicos”.
“Eles terão de dizer porque é que votam, com todo o respeito democrático”, vincou João Azevedo, acrescentando que “o povo é soberano e sabe bem em quem confiar”.
E realçou: “Não há acordos nenhuns. A única coisa que vai haver são conversas e explicação, tolerância absoluta. O acordo é tratar bem do território e fazer desta cidade e deste concelho liderante na região Centro”.
Quando o seu executivo tomar posse, uma das prioridades será reunir com a Confederação Empresarial de Portugal (CIP) e a Associação Empresarial da Região de Viseu (AIRV), para que a capital de distrito se torne “a terra das oportunidades”.
João Azevedo disse que pretende “encetar rapidamente a planificação da reabilitação das áreas de localização empresarial, em paralelo com a revisão do PDM (Plano Diretor Municipal)”.
“Parece-me que isto está muito travado, é preciso desbloquear e rapidamente reagir, para que possamos ter respostas para as entidades que já nos contactaram nas últimas horas” com o intuito de se instalarem no concelho.
Segundo João Azevedo, “as pessoas estavam fartas de não ter respostas”, devido a “um modelo com um travão enorme que não respondeu à queles que querem fazer investimento”.
“Havia um entrave permanente, uma incapacidade. Normalizaram os serviços mÃnimos. Não pode ser”, frisou.
No que respeita aos transportes públicos, João Azevedo pretende que o sistema Mobilidade Urbana de Viseu (MUV) tenha “mais rotas, melhores horários e gratuitidade”.
Neste âmbito, vai rever o contrato existente com a empresa concessionária do MUV “relativamente à s rotas e à melhoria de horários”, e estruturar o próximo orçamento municipal para que os transportes públicos passem a ser gratuitos.
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