Central nuclear de Zaporijia em perigo após russos desligarem-na da rede

Kiev, 30 set 2025 (Lusa) – O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, alertou hoje que a central nuclear de Zaporijia, ocupada pelas forças russas, está desligada da rede elétrica ucraniana há sete dias consecutivos, numa situação “crítica”. 

“A situação é crítica. Devido aos ataques russos, a central foi cortada do fornecimento de energia e da rede elétrica. É alimentada por geradores a diesel”, disse Zelensky no seu discurso diário. 

“São os russos que estão a impedir a reparação das linhas de energia que conduzem à central e o restabelecimento da segurança básica com os seus ataques. E isto representa absolutamente uma ameaça para todos”, acrescentou. 

Conquistada pelas tropas russas em março de 2022, no início da invasão em grande escala da Ucrânia, a central, localizada em Enerhodar, na região de Zaporijia (sul), é a maior da Europa. 

Os seis reatores da central nuclear estão desligados, mas é necessária uma fonte de alimentação externa para continuar a arrefecê-los. 

A Ucrânia acusou no sábado a Rússia de cortar a central nuclear de Zaporijia da rede elétrica ucraniana e, assim, tentar “roubá-la” ligando-a à rede controlada pela Rússia. 

“Pedimos a todas as nações preocupadas com a segurança nuclear que deixem claro a Moscovo que a sua jogada nuclear deve parar”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiga, na rede X. 

O operador da central, controlada pelo grupo russo Rosatom, confirmou que a instalação está sem fornecimento de energia externa desde terça-feira da semana passada e que os geradores de emergência estavam atualmente a suprir as suas necessidades. 

“Desde 23 de setembro de 2025, o fornecimento de energia para as necessidades da central nuclear de Zaporijia tem sido fornecido por geradores a diesel de emergência”, disse o operador na plataforma Telegram. 

Segundo esta fonte, existem reservas de combustível suficientes para um “funcionamento prolongado” em autonomia e o arrefecimento dos motores é realizado “na totalidade”. 

Mas o ministro ucraniano, Andrii Sybiga, acusou os operadores russos de “ignorarem qualquer consideração pela segurança nuclear” para “agradar aos seus chefes em Moscovo”. 

Segundo o chefe da diplomacia ucraniano, “a Rússia construiu 200 quilómetros de linhas de energia em preparação para uma tentativa de roubar a central, ligá-la à rede [sob controlo russo) e reiniciá-la”. 

Sybiga acusou Moscovo de “ações irresponsáveis” que causaram “muitos riscos” à energia nuclear desde o início da invasão em 2022. 

“Mas a tentativa russa de voltar a ligar a central pode ser a pior até agora, representando os maiores riscos. Moscovo está a tentar envolver a AIEA nesta aventura e justificar o roubo” da central, disse Sybiga, exigindo que a central volte ao controlo ucraniano. 

O chefe da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Grossi, foi recebido no Kremlin na semana passada pelo Presidente Vladimir Putin, no âmbito de uma visita à Rússia. 

Na sua conta na rede X, Grossi disse ter discutido com o chefe da Rosatom, Alexey Likhachev, “a segurança e proteção” da fábrica de Zaporijia. 

A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e “desnazificar” o país vizinho, independente desde 1991 – após o desmoronamento da União Soviética – e que tem vindo a afastar-se da esfera de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.  

No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda pelo menos quatro regiões – Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia – além da península da Crimeia, anexada em 2014, e renuncie para sempre a aderir à NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental). 

Estas condições são consideradas inaceitáveis pela Ucrânia, que, juntamente com os aliados europeus, exige um cessar-fogo incondicional de 30 dias antes de entabular negociações de paz com Moscovo. 

Por seu lado, a Rússia considera que aceitar tal oferta permitiria às forças ucranianas, em dificuldades na frente de batalha, rearmar-se, graças aos abastecimentos militares ocidentais. 

 

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