
Setúbal, 30 set 2025 (Lusa) — A adesão à greve dos enfermeiros da Unidade Local de Saúde da Arrábida (ULSA) convocada para hoje para exigir o pagamento de dÃvidas em atraso, é “superior a 80%”, revelou o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP).
“Estamos com uma adesão superior aos 80%, o bloco operatório do Hospital de São Bernardo está a funcionar só com a sala de urgência, com grande impacto também nas consultas externas e temos várias unidades de cuidados de saúde primários que estão encerradas porque os enfermeiros aderiram a 100%”, disse aos jornalistas Zoraima Prado, do SEP.
“Também temos vários serviços de internamento [com uma adesão à greve] a 100%, só com cuidados mÃnimos”, acrescentou a sindicalista, que falava aos jornalistas durante uma concentração junto à entrada do Hospital de São Bernardo, em Setúbal.
Segundo Zoraima Prado, a greve foi convocada pelo SEP para exigir diálogo com o Conselho de Administração da ULSA e o pagamento de dÃvidas do trabalho extraordinário realizado pelos enfermeiros, para as quais já existe um plano de pagamento há dois anos, mas que não está a ser concretizado.
“Em primeiro lugar, a greve tem a ver com a ausência de diálogo com o Conselho de Administração, porque, em abril, já pedimos uma reunião e já elencámos estes problemas, que se agravaram desde o inÃcio do ano”, disse.
“Temos dÃvidas aos enfermeiros, em trabalho extraordinário, que já têm dois anos de compromisso, e um plano de pagamentos que não está concretizado. Temos a questão dos retroativos das produções que remontam a 2018 – e nesta instituição temos uma questão particular porque já existe uma sentença que obrigou o pagamento de alguns colegas – e é justo que, depois dessa sentença e de outras que, entretanto, saÃram, [o trabalho extraordinário] seja pago a todos”, acrescentou.
A sindicalista do SEP salientou ainda que há enfermeiros da antiga Administração Regional de Saúde (ARS) que tinham dÃvidas com essa instituição que remontam a 2023, que ainda não foram assumidas pela ULSA, e lembrou que as progressões de carreira, que deveriam ter ocorrido em janeiro, também ainda não estão concretizadas.
Questionada sobre o montante das dÃvidas aos enfermeiros, Zoraima Prado disse que dependem da situação profissional e do serviço de cada enfermeiro, mas adiantou, como exemplo, que “um enfermeiro do serviço de urgência poderia estar um ano sem trabalhar porque lhe devem um ano inteiro de trabalho extraordinário, o que poderá representar, para alguns deles, uma dÃvida de cerca de 20 mil euros, à qual acrescem os retroativos a que os enfermeiros têm direito desde 2018, com uma dÃvida de montante semelhante”.
Contactado pela agência Lusa, o Gabinete de Comunicação da ULSA disse não ter ainda dados disponÃveis sobre a adesão à greve, mas adiantou que, em 16 de setembro, a administração da Unidade comunicou ao sindicato que as situações apresentadas iriam ser “progressivamente resolvidas no âmbito das competências da ULSA”, lamentando, por isso, que o SEP tenha decidido manter a greve convocada para hoje.
“A Administração lamenta esta decisão, sublinhando, no entanto, que continua empenhada em encontrar soluções que correspondam à s preocupações manifestadas, no respeito pelas condições de trabalho, pela qualidade da prestação de cuidados e valorização dos trabalhadores”, acrescentou.
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