
Nações Unidas, Nova Iorque, 26 set 2025 (Lusa) — O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, surgiu hoje na Assembleia Geral da ONU com um código QR na lapela que remete para um portal com imagens explícitas e sangrentas dos ataques do Hamas de 07 de outubro de 2023.
Ao aceder ao código, surge primeiro um aviso de “conteúdo explícito” e “violência extrema”.
A página apresenta-se como uma “documentação dos crimes contra a humanidade” cometidos no “massacre do Hamas” de 07 de outubro, em que, segundo os autores do portal, “mais de mil civis inocentes foram massacrados”.
Netanyahu está a ser investigado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra, e foi pedida a sua detenção. Os juízes do TPI alegam existirem “motivos razoáveis” para acreditar que é responsável por crimes de guerra e contra a humanidade.
Em curso tem também um julgamento, em Israel, já em tribunal, sobre casos de corrupção.
O portal contém também imagens de soldados com rostos desfigurados e corpos ensanguentados, bem como fotos e vídeos da chacina no festival de música de Reim, onde foram mortos 364 civis e 40 pessoas foram raptadas.
Há registos de sangue em casas de banho portáteis, filas de cadáveres com ferimentos de bala e também corpos e objetos carbonizados.
A página recorda ainda os números do ataque: mais de 1.200 mortos, mais de 6.000 feridos e 253 raptados.
Dos 253 raptados, permanecem nas mãos do Hamas 48, sendo que apenas 20 estarão vivos, segundo afirmou hoje Netanyahu ao discursar na ONU, onde, antes de iniciar a intervenção, viu dezenas de delegações abandonaram a sala.
O primeiro-ministro israelita procura recuperar a narrativa, numa altura em que países como Reino Unido, Espanha e Canadá e Portugal, entre outros, reconheceram o Estado da Palestina e em que cresce o número de nações e organizações internacionais a classificar como genocídio a ofensiva israelita em Gaza desde 07 de outubro.
Israel lançou também uma campanha de propaganda em Nova Iorque, com camiões publicitários e cartazes em Times Square a dizer “lembrem-se de 07 de outubro”.
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