
Maputo, 26 set 2025 (Lusa) — As autoridades sanitárias moçambicanas pretendem vacinar, em cinco dias, 78.442 raparigas na cidade de Maputo contra o cancro do colo do útero, no âmbito de uma campanha nacional que arranca segunda-feira, foi hoje anunciado.
A campanha nacional, que decorre até 03 de outubro, pretende contribuir “para a eliminação da doença” e, essencialmente, “prevenir as raparigas contra a infeção” pelo VÃrus do Papiloma Humano (HPV, na sigla inglês), afirmou Alberto Chambale, responsável pelo programa de vacinação do Serviço de Saúde da Cidade Maputo, em conferência de imprensa.
Segundo Alberto Chambale, a estratégia inclui a criação de brigadas móveis que atuarão “a nÃvel das escolas primárias e secundárias, universidades, mercados e terminais de transporte”, além de equipas fixas em unidades sanitárias.
Embora a meta de 78.442 raparigas se refira apenas a Maputo, a vacinação será feita a nÃvel nacional, abrangendo todas as provÃncias do paÃs no mesmo perÃodo, visando desde logo a prevenção daquela infeção sexualmente transmissÃvel.
Introduzida em Moçambique em 2021, a vacina contra o cancro do colo do útero passou a ser administrada em dose única desde 2024, após novas evidências da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a sua eficácia.
“É eficaz. Previne mais de 90% da ocorrência da infeção, e também, quando nós estivermos a vacinar as mulheres, indiretamente também estaremos a prevenir aos homens”, explicou Chambale.
Acrescentou, citando dados da OMS, que o cancro do colo do útero é um dos principais desafios de saúde pública no paÃs e no mundo, com cerca de 660 mil novos casos e 350 mil mortes registados anualmente a nÃvel global. Em Moçambique, foram notificados 5.496 casos em 2022, resultando em cerca de 4.000 mortes.
“As mulheres infetadas pelo HPV têm seis vezes mais probabilidade de desenvolver a doença”, referiu o responsável, destacando que os tipos 16 e 18 do vÃrus são responsáveis por 95% das infeções.
Na ocasião, o médico-chefe do Serviço de Saúde da Cidade Maputo, Hortêncio Faria, reforçou ainda a importância da educação sexual, do uso consistente do preservativo e do rastreio precoce do cancro do colo do útero como medidas complementares de prevenção, face à “falta de informação e interesse”.
“As mulheres não vão à unidade sanitária para fazer o rastreio, na fase inicial, isso concorre para que seja diagnosticado na fase tardia. Na fase tardia já tem sintomas, sangramento, polÃnea, e aà já é uma fase tardia”, disse o médico.
Hortêncio Faria apelou ao envolvimento das comunidades na divulgação da campanha, lembrando que a vacinação é gratuita e voluntária.
“É uma vacina que vai ser gratuita para todas as populações e esperamos vacinar aproximadamente mais de 97% das raparigas dos 12 a 18 anos de idade”, concluiu Hortêncio Faria.
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