
Luanda, 18 set 2025 (Lusa) — A transportadora aérea angolana TAAG teve um resultado lÃquido negativo de 134,2 mil milhões de kwanzas (123,7 milhões de euros) no exercÃcio de 2024, conforme demonstrações financeiras da empresa consultadas hoje pela Lusa.
O relatório e contas da TAAG 2024 indica no balanço da empresa um ativo total de 815,1 mil milhões de kwanzas (751,2 milhões de euros) e capitais próprios negativos de 21,4 mil milhões de kwanzas (19,8 milhões de euros).
Os dados, que constam do Relatório Agregado do Setor Empresarial Público (SEP) 2024 de Angola, referem também que a subvenção de voos para a provÃncia de Cabinda no decurso de 2024 custou 10,6 mil milhões de kwanzas (9,8 milhões de euros).
Os custos globais com o pessoal da TAAG nesse perÃodo, entre remunerações, férias, pensões, despesas médicas, indemnizações e transportes, fixaram-se em 83 mil milhões de kwanzas (76,5 milhões de euros), enquanto outros custos e perdas operacionais aumentaram para 344,5 mil milhões de kwanzas (317,5 milhões de euros), mais 44 mil milhões de kwanzas (40,6 milhões de euros) em relação a 2023.
“Verifica-se um aumento dos custos com fornecimentos e serviços de terceiros (mais 44 mil milhões de kwanzas; 15,4%), sendo os principais efeitos relacionados à desvalorização da moeda nacional face à s moedas estrangeiras (queda de 12% do kwanza face ao dólar). Esse efeito foi parcialmente compensado pela redução das operações da companhia no exercÃcio corrente”, refere-se no relatório.
Quanto aos custos com combustÃveis para as aeronaves e outros — considerada a categoria de custos mais relevante no total da rubrica — estes fixaram-se em 139 mil milhões de kwanzas (128,1 milhões de euros).
As contas foram aprovadas com reservas pelo auditor independente, a KPMG, que aponta “existência de divergências significativas entre as quantidades apresentadas nas rubricas de existências e aquelas inventariadas fisicamente”, bem como falta de detalhes sobre um montante superior a 19 mil milhões de kwanzas (17,5 milhões de euros) relacionado com “existências em trânsito”.
O auditor chama também a atenção para os capitais próprios negativos e resultados lÃquidos negativos da companhia aérea, cujo passivo corrente excede o ativo corrente em 181 mil milhões de kwanzas (166,8 milhões de euros).
“Estes acontecimentos ou condições (…) indicam que existe uma incerteza material que pode colocar dúvidas significativas sobre a capacidade da entidade se manter em continuidade”, refere o relatório.
DAS/RCR // ANP
Lusa/Fim



