
Paris, 11 set 2025 (Lusa) – A polÃcia interveio hoje de manhã para desocupar vários campus universitários em Paris, incluindo o prestigiado Sciences Po, onde um número significativo de estudantes aderiu ao protesto que começou na quarta-feira com a intenção de bloquear a França.
O chefe da polÃcia de Paris, Laurent Núñez, afirmou em entrevista à CNews que o movimento “Vamos Bloquear Tudo!” foi “um fracasso” porque “não houve um único bloqueio”, embora tenham existido “inúmeras tentativas”, acrescentando que tal se deveu à s ações da polÃcia.
Núñez citou, como exemplo, as ações policiais desta manhã nos campus universitários da capital francesa, sublinhando que, tal como na quarta-feira, a ordem do ministro do Interior, Bruno Retailleau, é que seja aplicada “a mesma determinação”.
O chefe da polÃcia afirmou que, até hoje, foram detidos 280 pessoas na área metropolitana de Paris e insistiu que o Ministério Público pretende processar todas as detenções assim que as provas estiverem disponÃveis.
Em toda a França, pouco antes da meia-noite, o Ministério do Interior reportou 540 detenções em protestos em que, segundo as estimativas das autoridades, participaram 197 mil pessoas. Foram no total 596 manifestações e 253 bloqueios ou tentativas de bloqueio.
Núñez enfatizou que o movimento “Vamos Bloquear Tudo!” foi “capturado pela extrema-esquerda” e por grupos “ambientalistas radicais” e que os apelos a “ações muito violentas” circularam nas redes sociais.
O protesto visa denunciar especificamente os planos orçamentais do governo do ex-primeiro-ministro François Bayrou, destituÃdo na segunda-feira.
Estes planos incluem um ajustamento para reduzir o défice em 44 mil milhões de euros até 2026, dada a delicada situação das finanças públicas francesas.
Na vertente polÃtica, o movimento social “Vamos Bloquear Tudo!” recebeu o apoio da La France Insoumise (LFI), de Jean-Luc Mélenchon.
Está marcado um dia de greves e manifestações para 18 de setembro, em França, mas neste caso organizado por todos os sindicatos, também para exigir a inversão dos planos de austeridade.
Tudo isto acontece em pleno agravamento da crise polÃtica em França, com a nomeação pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, do atual Ministro da Defesa, Sébastien Lecornu, como novo primeiro-ministro.
Neste momento, Lecornu não conta com uma maioria parlamentar, não havendo sinais de que a mantenha a longo prazo, dada a fragmentação da Assembleia Nacional.
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