
Maputo, 11 set 2025 (Lusa) – Moçambique garantiu donativos externos de 110,8 milhões de dólares (94 milhões de euros) nos primeiros seis meses do ano, segundo dados de um relatório de execução do Governo, a que a Lusa teve hoje acesso.
De acordo com os dados do Ministério das Finanças, foram mobilizados neste período 100 milhões de dólares (85 milhões de euros) do Banco Mundial, para o programa Acelerar a Transformação do Acesso à Energia Sustentável e Limpa em Moçambique (ASCENT), fechado em maio.
Acresce um outro financiamento na forma de donativo, de 10,8 milhões de dólares (9,1 milhões de euros), do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), para o programa Segurança Alimentar e Nutricional Resiliente as Alterações Climáticas para Mulheres, Jovens e Pequenos Agricultores (CREFONS), fechado em janeiro.
“Neste período, não foram assinados acordos de crédito [externo]”, acrescenta o documento.
O Banco Mundial vai avançar com uma parceria com Moçambique a cinco anos, apostando no turismo, energia e qualificação dos jovens, anunciou em 20 de julho, em Maputo, o presidente da instituição, defendendo a urgência de o país estabilizar as contas.
“A primeira coisa que Moçambique deve fazer é um esforço para estabilizar a sua situação macro fiscal. Porque se não se fizer isso, é muito difícil dar estabilidade a uma população e atrair o setor privado”, disse o presidente do Grupo Banco Mundial (BM), Ajay Banga, questionado pela Lusa no final de dois dias de visita ao país africano.
“Têm uma nação jovem e em crescimento. E esse é o vosso dividendo”, sublinhou, apontando a prioridade da “dignidade” de um emprego da população e de qualificar os jovens: “Não temos 30 anos para fazer isto corretamente. Porque se os jovens não tiverem esperança, farão coisas que não queremos, incluindo a migração para outros locais e a instabilidade”.
Banga, que esteve reunido no dia anterior, em Maputo, com o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, defendeu que é necessário “dar uma oportunidade” aos jovens e ao setor privado que cria os empregos.
“Penso que há quatro ou cinco coisas que nós, enquanto instituição, podemos fazer com Moçambique. Criar um novo quadro de parceria nacional, uma visão a cinco anos, ajudar com energia, com os corredores [três, que ligam os portos ao interior e aos países vizinhos], com a agricultura e as pequenas empresas, com a qualificação e com o turismo”, enumerou, reforçando o apelo para a organização da situação macrofiscal do país.
“Têm sol, gás, há a energia hidroelétrica. Têm a capacidade de criar eletricidade (…), é um dos maiores fornecedores da rede energética da África austral, há uma enorme procura de eletricidade nos outros países, na maior parte dos casos, existe uma carência. Por isso, a possibilidade de ganhar divisas e, ao mesmo tempo, tornar-se um integrador regional de eletricidade, é enorme”, enfatizou o presidente do BM.
Ajay Banga destacou a aposta de Moçambique no turismo e o contributo que o BM pode dar nesta nova parceria, assumindo que é “um país abençoado” com praias e “boas pessoas”.
“O turismo é o maior multiplicador de empregos por cada dólar investido. E penso que ele [Presidente moçambicano] está bastante concentrado nisso, e com razão. Já têm um bom turismo. Estou a falar de multiplicar esse valor. Vamos trabalhar com ele num plano de turismo que abranja destinos de negócios e de conferências, destinos sociais e de casamento e, por último, o turismo sustentável de elevado valor. Mais uma vez, têm todos os atributos necessários para isso. Vida selvagem, praias, campos de golfe”, disse.
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