
Washington, 08 set 2025 (Lusa) – A presidência norte-americana (Casa Branca) garantiu hoje que Donald Trump “não assinou” uma carta, nem “fez um desenho” destinado a Jeffrey Epstein, na sequência de uma denúncia feita pelos democratas no Congresso.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, denunciou na rede social X as “informações falsas destinadas a alimentar a conspiração democrata” em torno da relação entre Donald Trump e o agressor sexual.
Os democratas do Comité de Supervisão da Câmara dos Representantes divulgaram hoje uma carta sexualmente sugestiva destinada a Jeffrey Epstein, supostamente assinada pelo atual Presidente dos Estados Unidos, o que Donald Trump nega.
Trump já tinha afirmado que não escreveu a carta, nem criou o desenho de uma mulher curvilÃnea nessa missiva destinada a Epstein, um criminoso sexual com quem o magnata republicano manteve relações de proximidade durante décadas.
O chefe de Estado já havia entrado com um processo de 10 mil milhões de dólares (8,5 mil milhões euros) contra o The Wall Street Journal por publicar uma reportagem sobre a suposta carta.
Em julho, o jornal noticiou que, entre as cartas que Epstein recebeu no 50.º aniversário em 2003, havia uma com o nome de Trump e um desenho de uma mulher nua. A ilustração continha os seios e a palavra Donald na zona dos pelos púbicos.
De acordo com o jornal, a antiga assistente de Epstein, Ghislaine Maxwell, que está a cumprir uma pena de 20 anos de prisão por ser cúmplice do magnata, recolheu cartas de Trump e de outros associados de Epstein para as incluir num álbum como presente.  Â
Os democratas receberam hoje uma cópia do álbum do 50.º aniversário de Epstein, como parte de um lote de documentos do espólio do abusador sexual.
A carta divulgada pelo comité parece exatamente como a descrita pelo The Wall Street Journal na sua reportagem.
O documento com o nome e a assinatura de Trump inclui um texto emoldurado por um contorno desenhado à mão do que aparenta ser uma mulher curvilÃnea.
“Um amigo é uma coisa maravilhosa. Feliz aniversário — e que cada dia seja um segredo maravilhoso”, lê-se na carta.
Após a divulgação da carta, o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Taylor Budowich, publicou fotos da assinatura de Trump na rede social X e identificou a empresa controladora do The Wall Street Journal, a News Corp., escrevendo: “É hora da News Corp abrir o livro de cheques, a assinatura não é dele. DIFAMAÇÃO!”.
A morte de Jeffrey Epstein, encontrado enforcado na cela da prisão, alimentou inúmeras teorias da conspiração — particularmente dentro do movimento MAGA, que apoia Donald Trump — segundo as quais foi assassinado para evitar revelações sobre figuras importantes.
A divulgação da carta ocorre num momento de pressão bipartidária no Congresso pela divulgação dos chamados arquivos de Epstein, após anos de especulação e teorias da conspiração.
Os pedidos pela divulgação dos registos partiram de republicanos, incluindo o agora vice-presidente, J.D. Vance, antes de assumir o segundo cargo mais importante do paÃs.
Contudo, no inÃcio de julho, o Departamento Federal de Investigação (FBI) e o Departamento de Justiça (DOJ) indicaram que não há provas da existência de uma “lista de clientes” chantageados por Epstein, e que a morte do pedófilo numa prisão federal resultou de suicÃdio.
Tal conclusão levou a uma crise entre aliados e eleitores de Donald Trump.
Epstein suicidou-se numa prisão de Manhattan, em Nova Iorque, enquanto aguardava julgamento em 2019, sob acusações de abuso sexual e tráfico de dezenas de meninas menores de idade.
Os laços de Trump com Epstein são bem documentados, embora o Presidente tenha assegurado que não tinha conhecimento ou envolvimento nos crimes e garantido que terminou a amizade entre ambos há décadas.
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DMC (MYMM/PDF) // RBF
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