
Caracas, 01 set 2025 (Lusa) — O Presidente Nicolás Maduro denunciou hoje que Caracas enfrenta a maior ameaça dos últimos 100, uma vez que os Estados Unidos têm oito barcos com mais de 1.200 mÃsseis e um submarino nuclear apontados à Venezuela.
“A Venezuela enfrenta a maior ameaça que o nosso continente viu nos últimos 100 anos. Eles (os EUA) avançam para o que chamam de pressão máxima, neste caso militar, e diante da pressão militar máxima, declarámos a preparação máxima para a defesa da Venezuela, ativando sempre a Constituição», disse Nicolás Maduro.
O Presidente da Venezuela falava numa conferência de imprensa perante jornalistas venezuelanos e internacionais, que teve lugar em Caracas, a que assistiram centenas de profissionais conectados via Zoom.
O Presidente da Venezuela admitiu que apesar das tensões mantém comunicação com os EUA, mas que os canais abertos estão “deteriorados”, uma situação pela qual responsabilizou o secretário de Estados dos EUA, Marco Rubio.
“Infelizmente, esses canais estão deteriorados, pois tentou-se impor a diplomacia das canhoneiras. Marco Rubio busca um banho de sangue, com um massacre e uma guerra contra a Venezuela, a América do Sul e o Caribe. Esperemos que, com respeito e diálogo, esses canais possam ser recuperados”, disse.
Por outro lado, explicou que a atual pressão dos EUA contra a Venezuela só pode ser comparada, com a crise de 1962, quando a União Soviética tentou instalar mÃsseis nucleares de médio alcance em Cuba, situação que pôs duas superpotências à beira de um conflito nuclear.
Maduro alertou que os EUA estão errados ao avançarem com a “absurda” narrativa de relacionar a Venezuela com o narcotráfico para justificar o envio de barcos de guerra para as CaraÃbas.
o que ele classificou como uma «narrativa bem, mas bem absurda» sobre um combate ao narcotráfico para justificar o envio de «navios de guerra», insistindo que o paÃs caribenho «tem um histórico na luta» contra o comércio ilegal de narcóticos.
Maduro anunciou a criação das “unidades comunais milicianas de combate nos 5.334 circuitos comunais” do paÃs, agrupadas em 15.751 bases populares de defesa integral, à s quais vão ser incorporados os 8,2 milhões de milicianos com que, disse, o paÃs conta.
Por outro lado, agradeceu à Colômbia pela cimeira extraordinária da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), na qual a ministra das Relações Exteriores do vizinho paÃs, Rosa Villavicencio, condenou essa ação dos EUA em águas das CaraÃbas.
As tensões entre Washington e Caracas intensificaram-se nas últimas semanas, depois de em 16 de agosto, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, ter afirmado que os Estados Unidos estão preparados para “usar todo o seu poder” para travar o “fluxo de drogas” para o território norte-americano.
Em 18 de agosto, o ministro de Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, advertiu os Estados Unidos para que não ousem atacar o paÃs porque os venezuelanos estão preparados para defender a pátria. Nas mesmas declarações, o ministro referiu que Washington também iria enfrentar a reação da América Latina.
Em 29 de agosto, o Governo venezuelano advertiu Washington que um ataque à Venezuela será uma “calamidade” e um “pesadelo” para os Estados Unidos.
“Seremos a sua calamidade, seremos o seu pesadelo e isso significará também a instabilidade de todo este continente. Por isso, o apelo é à paz. Acalmem-se, senhores falcões dos Estados Unidos. Acalmem-se, tranquilizem-se, porque vão causar um grande dano ao seu próprio paÃs”, disse a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, em declarações no estado venezuelano de Carabobo durante uma jornada de dois dias de alistamento voluntário da população para defender o paÃs das alegadas ameaças dos Estados Unidos.
Caracas recebeu como ameaça a notÃcia de que Washington enviou para águas caribenhas navios lança-mÃsseis e 4.000 fuzileiros numa alegada operação contra cartéis narcotraficantes, em resposta à qual Caracas anunciou a deslocação por todo o paÃs de 4,5 milhões de milicianos, componente da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB).
No passado dia 21 de agosto, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou aos Estados Unidos e à Venezuela para que “resolvam as diferenças por meios pacÃficos”.
FPG (APN) // RBF
Lusa/Fim



