Trinta e três soldados libertados de uma zona de guerrilha na Colômbia

Bogotá, 29 ago 2025 (Lusa) – Um grupo de 33 soldados que estava retido há três dias numa zona de guerrilha na Colômbia foi libertado na quinta-feira, anunciou o gabinete de mediação no país, responsável pela supervisão dos direitos humanos.

Após violentos combates com rebeldes, na segunda-feira, cerca de 600 habitantes impediram os soldados de deixarem uma zona do departamento de Guaviare (sudeste), algo que o Governo de esquerda de Gustavo Petro classificou como sequestro.

“Neste momento, os soldados estão a retirar-se” da zona, declarou, na rede social X, Iris Marín, a mediadora, apelando para que não se estigmatize a comunidade que reteve os militares.

Membros do Governo, Marín e as Nações Unidas desempenharam um papel de mediação para a libertação dos soldados.

Os sequestros de militares e agentes da polícia são frequentes na Colômbia e geralmente são realizados por camponeses coagidos ou manipulados por grupos armados, em áreas onde a presença do Estado é débil.

A zona é controlada pelos rebeldes do Estado-Maior Central, dissidência das antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que assinaram um acordo de paz em 2016.

Desde domingo, os confrontos com essa guerrilha liderada por Iván Mordisco – o homem mais procurado da Colômbia – causaram dez mortos e levaram à captura de dois guerrilheiros.

As autoridades inicialmente relataram a existência de 34 soldados reféns, reduzindo posteriormente esse número para 33.

Na semana passada, outro grupo liderado por Mordisco fez explodir um camião, causando seis mortos e mais de 60 feridos em Cali, no sudoeste da Colômbia.

O desarmamento das FARC deixou um vazio de poder, que foi explorado por grupos rebeldes dissidentes, paramilitares e cartéis. Esses grupos fortaleceram-se graças às receitas do tráfico de droga, extorsão e mineração ilegal, de acordo com especialistas.

Iván Mordisco conduziu negociações de paz com o Presidente Petro durante um ano, mas abandonou-as em 2024, intensificando a luta contra o Estado.

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