
Jerusalém, Israel, 28 ago 2025 (Lusa) — O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, confirmou hoje negociações em curso sobre uma zona desmilitarizada no sul da SÃria e abertura de um corredor humanitário para apoiar a comunidade da minoria drusa na região.
De acordo com um vÃdeo divulgado pelo seu gabinete, o chefe do Governo israelita afirmou que “as discussões estão a decorrer agora, neste preciso momento”, discursando perante representantes drusos, uma minoria religiosa esotérica, presente em vários paÃses do Médio Oriente.
Netanyahu confirmou pela primeira vez a existência de conversações envolvendo as novas autoridades sÃrias que emanaram do golpe militar em dezembro passado contra o regime de Bashar al-Assad, embora não se tenha referido a elas.
“Por enquanto, estamos a concentrar-nos em três coisas: proteger a comunidade drusa na provÃncia de Sweida [no sul da SÃria], mas não apenas lá, criar uma zona desmilitarizada que se estenda dos Montes Golã até ao sul de Damasco, incluindo Sweida, e estabelecer um corredor humanitário para permitir a entrega de ajuda”, elencou o lÃder israelita.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros francês confirmou à agência noticiosa France-Presse (AFP) uma reunião em 19 de agosto em Paris entre os chefes das diplomacias de Damasco, Assaad al-Shaibani, e de Telavive, Ron Dermer, sob mediação norte-americana, o segundo encontro neste formato ocorrido na capital francesa.
“Estes esforços fazem parte do nosso apoio ao diálogo e ao estabelecimento de boas relações de vizinhança entre os dois paÃses, um elemento essencial da estabilidade regional”, afirmou o ministério francês.
Israel e SÃria estão tecnicamente em estado de guerra há décadas, mas as novas autoridades de Damasco têm insistido que não pretendem um conflito com o paÃs vizinho.
A agência oficial sÃria SANA noticiou a reunião de Paris como uma oportunidade para discutir “questões relacionadas com o reforço da estabilidade na região e no sul da SÃria”.
Durante a operação relâmpago que levou em dezembro à queda do ex-presidente Bashar al-Assad, apoiado pelo Irão, e que conduziu uma coligação armada rebelde ao poder na SÃria, Israel bombardeou intensivamente alvos alegadamente das forças afetas ao antigo regime e as suas tropas cruzaram a “zona-tampão” já existente entre os dois paÃses.
No seguimento de graves episódios de violência sectária que ocorreram desde então na SÃria, envolvendo elementos da minoria alauita, a que pertencia a elite do regime deposto, e os militares das novas forças armadas e ainda os drusos, Israel partiu em apoio militar desta última comunidade.
Os drusos estão sobretudo presentes na SÃria, no LÃbano e também em Israel, além de outros paÃses da região.
Uma zona desmilitarizada supervisionada pela ONU foi criada em 1974 na divisão da SÃria e Israel, que, no final do ano passado, lançou, a partir dos Montes Golã ocupados, as suas forças terrestres para ocuparem posições além da linha de demarcação, à semelhança do que já acontecera no vizinho LÃbano.
O Qatar e o Egito consideraram hoje que as ações de Israel na SÃria e no LÃbano são irresponsáveis e colocam em perigo toda a região.
Em conferência de imprensa conjunta, após se reunirem na cidade egÃpcia de El-Alamein, o chefe do Governo e da diplomacia de Doha, Mohammed bin Abdul Rahman al-Thani, e o homólogo do Cairo, Badr Abdelatti, lamentaram que Israel “continua a atacar o sul do LÃbano diariamente”, apesar do cessar-fogo em vigor, e que o mesmo se passa na SÃria.
“As operações israelitas também se tornaram mais frequentes e violentas na SÃria”, observaram os governantes dos dois paÃses, que são igualmente mediadores do conflito que opõe Israel ao grupo islamita palestiniano Hamas desde 07 de outubro de 2023 na Faixa de Gaza.
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