Atiradora de Minneapolis era membro da igreja atacada e foi aluna da escola até 2017

Minneapolis, Estados Unidos, 28 ago 2025 (Lusa) – A autora do ataque armado de quarta-feira durante a missa numa escola católica da cidade norte-americana de Minneapolis era membro da igreja e foi aluna da escola até 2017, confirmou hoje a polícia local.

“Ela foi aluna da escola e membro da igreja. A mãe dela trabalhou para a paróquia durante algum tempo, mas não vimos nada específico que pudesse desencadear a quantidade de ódio que ocorreu ontem”, declarou o comandante da polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, ao canal televisivo NBC News.

O alto responsável da polícia de Minneapolis explicou que o protocolo da escola de trancar as portas da igreja assim que a missa começava, de manhã cedo, impediu a atiradora, identificada como Robin Westman, de disparar de dentro do edifício, causando mais vítimas.

A suspeita, de 23 anos, e que concluiu aquele ciclo de ensino em 2017, partilhou alegadamente uma série de vídeos e textos nas redes sociais que já foram apagados pelo FBI (Departamento Federal de Investigação, serviços secretos internos de informações e segurança dos Estados Unidos).

Neles, se via uma coleção de armas com mensagens racistas e antissemitas inscritas, como “seis milhões não foram suficientes”, uma referência ao Holocausto.

Nas gravações, a jovem fala dos seus pensamentos suicidas e deixa um recado à família, em que pede desculpa pelos seus atos. Aparece também a segurar um caderno contendo uma série de rabiscos cirílicos sem sentido, bem como nomes de assassinos em massa, entre os quais Adam Lanza, o autor do massacre da Escola Primária Sandy Hook, de Newton, no Connecticut.

A sua mãe pediu a alteração legal de nome do suspeito do ataque de Robert para Robin, segundo consta nos documentos oficiais, pelo que as autoridades suspeitam que estaria a meio de um processo de mudança de género.

O presidente da Câmara de Minneapolis, Jacob Frey, advertiu na quarta-feira de que não será tolerado qualquer comportamento de ódio em relação à comunidade trans devido a estes factos.

“Devemos agir por amor aos nossos filhos”, defendeu.

A polícia recuperou uma espingarda, uma caçadeira e uma pistola utilizadas no ataque armado, todas elas legalmente adquiridas.

Segundo a investigação, a atiradora, que não tinha antecedentes criminais, agiu sozinha, desconhecendo-se ainda o seu motivo. Não consta também que Westman se tenha debatido com doenças mentais.

As autoridades cumpriram quatro mandados de busca relacionados com o tiroteio, que matou duas crianças, de 8 e 10 anos, feriu outras 14 e mais três fiéis octogenários que assistiam à missa. A atiradora pôs fim à própria vida após o ataque.

Do total de 17 feridos, um menino continua “em estado crítico” e outras duas pessoas estão “em estado grave”.

Em conferência de imprensa, o diretor-executivo interino do hospital Hennepin Healthcare, Thomas Klemond, informou hoje que está a tratar nove doentes envolvidos no tiroteio escolar e um dos menores tem um diagnóstico reservado, pelo seu estado crítico.

Outras seis pessoas, cinco das quais menores, encontram-se bem, ao passo que outras duas se encontram em estado grave, acrescentou Klemond.

ANC // SCA

Lusa/Fim