
León, Espanha, 25 ago 2025 (Lusa) – A exposição prolongada a poluentes atmosféricos, como o dióxido de azoto e as partÃculas finas, pode acelerar o declÃnio cognitivo e aumenta o número de internamentos e a mortalidade por ataque cardÃaco, indicam dois estudos distintos.
Um trabalho publicado recentemente na revista The Lancet Healthy Longevity mostra que a poluição atmosférica “pode atrasar o processamento mental, prejudicar a memória e provocar alterações na estrutura cerebral na velhice, acelerando o declÃnio cognitivo”, segundo a agência noticiosa espanhola EFE.
Por outro lado, um estudo da Sociedade Espanhola de Cardiologia (SEC) e da Fundação Espanhola do Coração (FEC) descobriu que a poluição aumenta as hospitalizações e a mortalidade por enfarte agudo do miocárdio durante o internamento, que, em dias com nÃveis elevados, pode aumentar até 14%, adianta a EFE.
No caso do primeiro estudo, foram investigados cidadãos britânicos nascidos a partir de 1946, centrando-se o trabalho em adultos de meia-idade (45 a 64 anos), tendo sido avaliada a sua exposição ao dióxido de azoto (NO2), óxidos de azoto (NO?) e partÃculas finas (PM10 e PM2.5).
As partÃculas em suspensão englobam substâncias minerais e/ou orgânicas que se podem encontrar na atmosfera sob a forma lÃquida ou sólida, sendo as mais nocivas para a saúde humana as que possuem um diâmetro aerodinâmico inferior a 10 µm, denominadas PM10, pois podem entrar no sistema respiratório, explica a Agência Portuguesa do Ambiente.
Quando os participantes tinham entre 69 e 71 anos, foram analisados o seu desempenho cognitivo e estrutura cerebral através de testes de memória, da velocidade de processamento e de imagens cerebrais obtidas por ressonância magnética.
Os resultados mostram que o aumento da exposição ao dióxido de azoto e à s partÃculas durante a meia-idade está associado a um processamento mental mais lento e a um declÃnio da função cognitiva.
Segundo a EFE, os cientistas também observaram que nÃveis elevados de óxidos de azoto estavam associados a uma redução do volume do hipocampo, enquanto a exposição a dióxido de azoto e a partÃculas estava ligada a uma dilatação dos ventrÃculos cerebrais, indicadores habitualmente associados à atrofia cerebral.
O facto de a investigação revelar novas provas de que a poluição do ar tem efeitos duradouros no cérebro humano, além das consequências na saúde fÃsica, reforça, segundo os autores, a necessidade de avançar com polÃticas de redução de emissões como uma estratégia essencial de saúde pública para proteger a função cerebral a longo prazo.
Para o estudo cardiológico, foram analisados dados de 122 hospitais do Sistema Nacional de Saúde de Espanha com estações de medição ambiental localizadas num raio de 10 quilómetros e informações sobre 115.071 doentes com mais de 18 anos diagnosticados com enfarte agudo do miocárdio entre 2016 e 2021.
Os resultados mostraram como as concentrações de partÃculas PM 2,5 superiores a 10 microgramas por metro cúbico nos três dias anteriores ao internamento estão associadas a um aumento significativo de internamentos hospitalares por enfarte agudo do miocárdio, com até 22 ataques cardÃacos adicionais por cada 1.000 internamentos.
Além disso, quando os nÃveis de poluição são muito elevados e ultrapassam os 25 microgramas por metro cúbico, o risco de mortalidade aumenta em 14%, o que significa que, por cada 125 pessoas internadas nos hospitais, há aproximadamente mais uma morte do que nos dias com ar mais limpo, assinalou Raquel Campuzano, autora principal do estudo, citada pela EFE.
“Estas partÃculas [PM 2.5 e PM 10] podem provocar inflamação no organismo, alterar o funcionamento dos vasos sanguÃneos e aumentar o risco de coágulos”, efeitos que “estão diretamente relacionados com a progressão da aterosclerose (endurecimento e estreitamento das artérias) e com a rutura das placas que nelas se formam, o que pode desencadear factos graves, como um enfarte”, alertou Jordi Bañeras, coautor do estudo.
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