
Luanda, 11 ago 2025 (Lusa) — O lÃder da UNITA, maior partido da oposição angolana, manifestou hoje preocupação com a narrativa governamental sobre o envolvimento de “incentivadores à violência” e pediu um trabalho com isenção e responsabilidade.
As declarações de Adalberto Costa Júnior foram feitas após a sessão extraordinária do Conselho da República, na qual participou como lÃder da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA).
A reunião, segundo o comunicado final, teve como ponto único a situação de segurança pública em Angola, com destaque para os eventos ocorridos entre 28 de julho e 01 de agosto nas provÃncias de Luanda, Malanje, HuÃla, Benguela, Cuango, Bengo e Icolo e Bengo, marcados por atos de vandalismo, arruaça, insurgência contra as forças da ordem e segurança, bem como pilhagens de estabelecimentos públicos e privados.
Segundo o lÃder da UNITA, durante a sessão foram apresentados alguns relatórios pelo ministro do Interior, pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica e pelo ministro de Estado e chefe da Casa Militar do Presidente da República.
Sobre o que ocorreu na última semana de julho, o polÃtico disse que o Governo tem assumido uma posição diferente da leitura que é feita pela sociedade, com uma tendência “de não ter uma atenção particular à s questões sociais, económicas”.
“A posição das instituições é sempre aquela que aponta para terceiros e nunca para o mÃnimo de partilha da responsabilidade, não é uma boa opção. Temos problemas sérios, temos desafios grandes. Se alguém aqui pensar que os causadores são sempre os outros e nós não temos responsabilidade própria, não está a ajudar Angola a caminhar para o bom sentido”, frisou.
Adalberto Costa Júnior salientou que na reunião ouviu também “uma tendência muito grande de incentivar desconfianças internas, desencontros que se arrastam do tempo de conflito de ontem”.
“É preciso acautelar bastante posições que podem não trazer grandes benefÃcios, se não se olhar com alguma sensibilidade para aspetos concretos ligados à s dificuldades e desafios que Angola tem, e se se pretender aqui também encontrar bodes expiatórios para todos os erros e insuficiências da governação”, acrescentou.
“Com isto não quero de forma alguma justificar quaisquer atos de violência, de tumultos, que tenham ocorrido. Pelo contrário, são sempre condenáveis, mas não existiram apenas razões simples”, enfatizou, manifestando “alguma preocupação” com o cenário que é trazido “do envolvimento de incentivadores à violência, no plano interno, e de incentivadores à violência e estes tumultos, no plano externo”.
Para o lÃder da UNITA, “é importante que quem de direito faça o seu trabalho com isenção, mas que o faça com responsabilidade”.
O balanço da PolÃcia Nacional, dos três dias de greve, promovida por associações e cooperativas de táxis, em protesto à subida do preço do combustÃvel e das tarifas de transportes públicos, aponta para 30 mortos, 277 feridos e 1.515 detenções.
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