
Pemba, Moçambique, 08 ago 2025 (Lusa) – Pelo menos 10 pessoas foram interpeladas e obrigadas a pagar 10.000 meticais (135 euros) cada, na estrada Nacional 380, Cabo Delgado, vÃtimas de emboscadas de alegados grupos terroristas que operam naquela provÃncia moçambicana, relataram as vÃtimas.
De acordo com as fontes, estas emboscados aconteceram na quinta-feira, perto do cruzamento de Quissanga (19 de Outubro) da N380, no sentido de Palma para Pemba, capital provincial, com os ocupantes retirados à força das viaturas e obrigados a pagar para seguirem viagem.
“É triste, fomos interpelados e todos nós obrigados a pagar 10.000 meticais pela passagem e os carros pagaram até 250.000 meticais [3.350 euros]”, disse à Lusa uma fonte, a partir de Pemba.
O trânsito no troço Macomia – Silva Macua, da N380, uma das poucas asfaltadas do norte da provÃncia, esteve condicionado, obrigando os automobilistas a cancelarem viagens.
“Ontem foi terrÃvel. Se as coisas continuarem assim não vamos circular. Já estávamos a circular à vontade, pelo menos até Macomia, sem escolta, mas as coisas estão a voltar como antes”, descreveu a fonte, relatando outros focos destas emboscadas no troço entre Macomia e Awasse, da mesma estrada.
O ataque surge numa altura de recrudescimento de ataques por grupos extremistas que operam em Cabo Delgado e que desde final de julho já provocaram mais de 57 mil deslocados no sul da provÃncia.
Trata-se de um troço da N380 que está fora das escoltas militares aos automobilistas retomadas em julho, precisamente devido à retoma deste movimento de grupos extremistas naquela zona e que era considerada segura.
Os empresários de Cabo Delgado apelaram ao Governo moçambicano para duplicar as atuais escoltas das forças de segurança em Macomia, ao longo de 100 quilómetros até Awasse, MocÃmboa da Praia, travando ataques de grupos extremistas a transportadores.
Só entre março e julho deste ano, aquele troço da estrada N380 registou 104 ataques a transportadores, com os atacantes a exigirem o pagamento de resgates para permitir aos automobilistas seguirem viagem, levando os empresários a pressionar o Governo a retomar as escoltas militares, explicou à Lusa, em Pemba, em 01 de agosto, o presidente do conselho empresarial de Cabo Delgado.
“Do dia 23 [de julho, retoma das escoltas naquele troço] até hoje ainda não temos incidentes. Pelo menos até hoje estamos felizes com o trabalho que está sendo feito no campo e esse trabalho resultou do diálogo com o Governo”, disse Mamudo Irache.
Há duas semanas que a escolta acontece uma vez por dia em cada sentido, saindo de Macomia às primeiras horas da manhã, para garantir uma viagem de quase três horas em segurança a centenas de transportadores, comerciantes, empresários e passageiros.
Mas para os empresários de Cabo Delgado, é preciso mais: “Estamos a trabalhar com o comando provincial para ver se a escolta se faz duas vezes por dia”.
Desde a reintrodução destas escoltas, que tinham terminado há mais de um ano, os ataques naquele troço terminaram, contou então o representante dos empresários locais.
Atualmente, diz ainda Mamudo Irache, sem escolta militar, a recomendação é para não se circular naquele troço da N380, uma das poucas vias asfaltadas da região.
A provÃncia de Cabo Delgado, situada no norte do paÃs, rica em gás, enfrenta desde 2017 uma rebelião armada, que provocou milhares de mortos e uma crise humanitária, com mais de um milhão de pessoas deslocadas.
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