
Lisboa, 05 ago 2025 (Lusa) — O candidato presidencial António Filipe pediu hoje que se “faça mais pelos bombeiros”, designadamente melhorando o seu estatuto social, para garantir que a profissão é valorizada e se torna atrativa para os jovens.
Em declarações aos jornalistas após uma reunião com a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), em Lisboa, António Filipe considerou “muito justo” que se façam “homenagens e convocações” pelos bombeiros, mas considerou que não “basta o reconhecimento em palavras”.
“Esse reconhecimento deve ser traduzido também em atos e designadamente no melhoramento do estatuto social do bombeiro, por forma a que mais jovens se possam sentir motivados para exercer a atividade de bombeiros. Nós precisamos disso, o paÃs precisa disso”, defendeu.
António Filipe recordou que, apesar de haver em Portugal várias categorias de bombeiros, como os bombeiros sapadores ou municipais, a “espinha dorsal” do sistema de proteção civil são as associações humanitárias de bombeiros voluntários.
“E entendo que deveriam ser dados mais incentivos para que os jovens possam ser atraÃdos e que a carreira de bombeiros seja mais valorizada, para além de que o Estado não pode regatear apoios materiais à s associações de bombeiros”, defendeu, frisando que os materiais utilizados pelos bombeiros, como as viaturas ou equipamentos de proteção individual, são “muito dispendiosos”.
“Portanto, todo o apoio que o Estado possa dar à s associações de bombeiros deve ser dado. Creio que os bombeiros deviam poder contar com o paÃs como o paÃs conta com os bombeiros”, referiu, deixando ainda uma saudação à “dedicação, abnegação, até heroÃsmo” que os bombeiros têm demonstrado esta semana perante os “fogos de grande dimensão” em Portugal.
Questionado sobre o que é que acha que está a falhar na forma como se lida com os incêndios em Portugal, António Filipe disse que, sempre que há um ano “particularmente quente” e se assiste a incêndios com “consequências gravÃssimas”, criam-se comissões, que fazem “um relatório muito pormenorizado e muitas recomendações”.
“Depois vamos ver se as recomendações foram cumpridas e concluÃmos que muitas não foram, designadamente naquilo que tem a ver com a prevenção dos incêndios que deve ser feita ao longo do ano. Ou seja, não é em agosto que se faz a prevenção dos incêndios rurais”, salientou, defendendo que “o problema de fundo, mais estrutural, tem a ver com a falta de cumprimento das resoluções que diversas comissões, ao longo de décadas, têm vindo a fazer”, disse.
Interrogado sobre o que é que um Presidente da República pode fazer sobre este assunto, António Filipe reconheceu que, além de “dever acompanhar naturalmente os problemas do paÃs, deve também “ter uma voz ativa relativamente à resolução destas questões”.
“Não apenas de solidariedade com as populações, não apenas de reconhecimento e solidariedade com os bombeiros — tudo isso é importante e o Presidente da República não deve deixar de o fazer — (…) mas creio que o Presidente da República pode ter iniciativa juntando entidades, procurando mobilizar vontade, inclusivamente dos governos que tiverem em funções”, para garantir uma melhor prevenção dos incêndios florestais.
Por sua vez, o presidente da LBP, António Nunes, também afirmou que, perante os incêndios florestais, “há palavras de apreço e de reconhecimentos” para os bombeiros, mas é preciso que essas palavras passem a atos.
“Nós precisamos mais de atos que levem a que o voluntariado não morra, que os nossos bombeiros voluntários estejam dotados dos meios necessários para continuar a socorrer as populações e que, em momentos tão difÃceis como o paÃs está a atravessar, se saiba que pode contar com os seus bombeiros”, disse, agradecendo a António Filipe pelo seu trabalho em defesa dos bombeiros, designadamente quando foi deputado.
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