
CORREÇÃO: Loures, Lisboa, 21 jul 2025 (Lusa) — A Câmara Municipal de Loures vai contestar a decisão do Tribunal Administrativo de Lisboa de suspender as demolições de habitações precárias no Bairro do Talude Militar, adiantou hoje à agência Lusa fonte oficial do municÃpio.
“O tribunal deu 10 dias ao municÃpio para se pronunciar e, neste momento, está-se a trabalhar no sentido de contestar a decisão”, indicou à Lusa fonte da Câmara de Loures, presidida pelo socialista Ricardo Leão.
A Câmara de Loures iniciou há uma semana uma operação de demolição de 64 habitações precárias, onde vivem 161 pessoas.
Em dois dias, foram demolidas 55, mas nesse segundo dia foi interposta uma providência cautelar por 14 moradores, que o Tribunal Administrativo de Lisboa aceitou e levou à suspensão das operações.
Entretanto, no passado fim de semana, a Câmara de Loures deu inÃcio a um processo de limpeza do entulho originado pelas demolições, que prosseguiram esta manhã e serão retomadas na quarta-feira, referiu fonte da autarquia, ressalvando que ainda não existe um prazo para a conclusão destes trabalhos.
Por sua vez, a mesma fonte referiu que as famÃlias afetadas por estas demolições estão a ser incentivadas, por técnicos da autarquia, a se informarem sobre os apoios disponÃveis, sendo que algumas dirigiram-se esta tarde à Casa da Cultura de Sacavém.
Segundo informações do municÃpio, do distrito de Lisboa, das 55 famÃlias que ocupavam as construções precárias demolidas esta semana, 14 estão a receber apoio da Câmara Municipal de Loures, que disse ter atendido 38 dos agregados até sexta-feira.
Outras 14 famÃlias encontraram alternativa habitacional junto de familiares ou amigos, três recusaram o apoio e sete não manifestaram interesse nas soluções apresentadas.
De acordo com os últimos dados disponibilizados, três famÃlias, com cinco menores a cargo, continuam com apoio de pernoita e dez famÃlias, com 21 menores a cargo, encontram-se a receber apoio alimentar.
Cinco famÃlias conseguiram aceder ao mercado de arrendamento, tendo beneficiado do apoio municipal para o pagamento da caução e do primeiro mês de renda, acrescenta a autarquia.
Contactado pela Lusa, Kedy Santos, do Movimento Vida Justa, referiu que as famÃlias continuam a receber a mesma resposta por parte dos técnicos da Câmara e que a ajuda proposta não resolve a sua situação.
“É mais do mesmo. As alternativas têm de ser negociadas com o Governo”, defendeu.
O ativista disse ainda que as famÃlias com crianças temem que haja uma intervenção da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPC), no sentido de lhes serem retirados os menores.
“Existe esse risco. Daà também a necessidade de esta situação ser resolvida com urgência”, argumentou.
Entretanto, moradores e ativistas realizaram um plenário para prepararem as próximas ações, tendo decidido que farão uma ação pública no dia 30, adiantou Kedy Santos.
A ideia, referiu o ativista, é entregar uma carta aberta a pedir a suspensão dos despejos e a resolução dos problemas da habitação, no edifÃcio onde se reúne o Conselho de Ministros, em Lisboa.
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