
Lisboa, 20 jul 2025 (Lusa) — Uma carta aberta subscrita pela antiga deputada do PAN Bebiana Cunha e outros ex-dirigentes pede uma avaliação da direção do partido “sem receio de ter de mudar”, acusando a atual liderança de se desviar dos “valores fundadores”.
Numa carta aberta divulgada na Internet dirigida a pessoas filiadas, simpatizantes e dirigentes do PAN, os 35 signatários, em que se incluem os antigos dirigentes Anabela Castro, Nuno Pires, Miguel Queirós ou Carolina Pia, salientam que todos “têm a sua história dentro do PAN” e recordam o lançamento das fundações do projeto polÃtico Pessoas-Animais-Natureza em 2009.
“A atual liderança tem vindo a afastar-se dos valores fundadores do PAN, quando sistematicamente toma decisões contrárias à sua génese e incompreensÃveis perante os princÃpios do partido. As opções que se vão tomando assentam numa lógica de mera estratégia de sobrevivência polÃtica, em que os fins passaram a justificar os meios”, criticam.
Os signatários, entre os quais estão vários nomes que se demitiram da direção nos últimos meses, consideram que a atual liderança “não encara os próprios erros e falhas” e tem tido um mandato marcado “por dissabores internos, diversas derrotas polÃticas, lutas de poder que se tornaram mais importantes do que a missão do partido e por uma cultura de afastamento da crÃtica interna”.
Sobre as autárquicas de 12 de outubro, os signatários apontam “a ausência de uma estratégia coerente”, que resulta “em coligações avulsas, sem critérios ideologicamente compreensÃveis, assentes em promessas de cargos ou falta de projetos polÃticos próprios”.
“Há coligações, naturais em democracia, que são aceitáveis, por serem feitas com forças polÃticas cujos valores podem convergir com o PAN. Contudo, são completamente incompreensÃveis as coligações com partidos ideologicamente opostos e distantes, nomeadamente aqueles que permitem a prática de crimes ambientais ou que defendem a promoção da tauromaquia”, disse.
O PAN integra coligações com o PSD e a IL em Sintra e com estes dois partidos e o CDS-PP, em Faro, por exemplo.
Os signatários deixam um apelo coletivo para que se pare e avalie o atual rumo, “antes que seja demasiado tarde e o PAN desapareça ou se transforme num outro ideário polÃtico e social”.
“Sem receio de ter de mudar. É preciso relembrar que o PAN é mais do que a soma das suas pessoas e que a sua ideologia é mais importante do que quaisquer tipos de interesses”, afirmam.
Os subscritores asseguram continuar “comprometidos com os valores e a missão do PAN na sociedade portuguesa” e deixam o que classificam de “apelo simples e ambicioso”.
“Avaliar o caminho que tem sido traçado, reposicionar o partido na sua matriz ideológica, seja no pensamento estratégico, seja na sua comunicação, e reconstruir o PAN a partir dessa avaliação e sentido de missão. Escutar, com humildade, os que estão e os que se afastaram por não se reverem no atual PAN”, pedem.
E lançam uma pergunta: “Está o PAN ainda a ser fiel aos princÃpios que afirma defender? Está o PAN a ajudar as causas, ou a desmerecê-las?”.
A carta aberta termina pedindo que “se ouçam todas as vozes — sobretudo aquelas que permanecem fiéis ao projeto original e que não se reveem no rumo atual”.
“Acreditamos que um novo caminho é possÃvel e que o PAN pode — e deve — voltar a ser o farol que ilumina o futuro (…) Façamo-nos ouvir, com a esperança de que o PAN se possa cumprir! É a hora!”, apelam.
No sábado, confrontada com demissões internas recentes, a porta-voz do PAN, Inês Sousa Real, considerou que as saÃdas foram de pessoas que “não estavam comprometidas” nem com a sua agenda, nem com o partido.
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