
Beirute, 19 jul 2025 (Lusa) — O presidente interino da SÃria apelou à s tribos beduÃnas para respeitarem o cessar-fogo destinado a pôr fim aos confrontos com milÃcias associadas à comunidade drusa, que causaram centenas de mortos e ameaçaram desestabilizar a transição polÃtica após a guerra.
As forças governamentais, inicialmente destacadas para restaurar a ordem, mas que acabaram por apoiar os beduÃnos contra os drusos, foram reposicionadas para travar a retoma dos combates, que recomeçaram na noite de quinta-feira em Sweida, provÃncia no sul da SÃria. A violência levou também a ataques aéreos de Israel contra forças sÃrias antes de ser alcançada uma trégua.
No seu segundo discurso televisivo desde o inÃcio dos confrontos, Ahmad al-Sharaa culpou “grupos armados de Sweida” por reacenderem o conflito ao “lançarem ataques retaliatórios contra os beduÃnos e as suas famÃlias”. O presidente interino acrescentou ainda que a intervenção israelita “empurrou o paÃs para uma fase perigosa”.
Israel realizou dezenas de ataques aéreos contra comboios de combatentes do governo sÃrio e chegou a bombardear a sede do Ministério da Defesa em Damasco, afirmando apoiar os drusos — uma minoria significativa em Israel, considerada leal e com muitos membros a servirem nas Forças Armadas israelitas.
Foram divulgados relatos de combatentes ligados ao governo sÃrio a executarem civis drusos, bem como a saquearem e incendiarem habitações durante os quatro dias de violência.
O enviado especial dos EUA para a SÃria, Tom Barrack, anunciou hoje que Israel e a SÃria chegaram a acordo para um cessar-fogo. Ahmad al-Sharaa não mencionou diretamente o acordo no seu discurso, mas afirmou que “mediações americanas e árabes intervieram” para restaurar a calma.
Dirigindo-se aos beduÃnos, Ahmad al-Sharaa afirmou que estes “não podem substituir o papel do Estado na condução dos assuntos do paÃs e na restauração da segurança”. Acrescentou ainda: “Agradecemos aos beduÃnos pelas suas posturas heróicas, mas exigimos que respeitem integralmente o cessar-fogo e cumpram as ordens do Estado.”
Entretanto, um destacado lÃder druso, o xeque Hikmat Al-Hijri — opositor do atual governo e que se distanciou dos dois cessar-fogos anunciados na terça e quarta-feira — afirmou que o acordo inclui várias medidas destinadas a reduzir as tensões em Sweida.
Entre essas medidas estão o posicionamento de postos de controlo fora dos limites administrativos da provÃncia, para conter os confrontos e evitar infiltrações, a proibição de entrada, durante 48 horas, em aldeias fronteiriças por qualquer das partes, e a garantia de passagem segura para os membros das tribos beduÃnas que ainda permanecem na provÃncia.
Ahmad al-Sharaa reiterou que Sweida “continua a ser parte integrante do Estado sÃrio e que os drusos constituem um pilar fundamental do tecido nacional sÃrio”, prometendo proteger todas as minorias no paÃs.
Agradeceu também aos Estados Unidos pelo seu “papel significativo ao reafirmar o apoio à SÃria nestes tempos difÃceis”, bem como aos paÃses árabes e à Turquia, que mediaram a trégua de quarta-feira.
Mais de metade dos cerca de um milhão de drusos em todo o mundo vive na SÃria. A maioria dos restantes reside no LÃbano e em Israel, incluindo nas Colinas de Golã, território capturado por Israel à SÃria na guerra do Médio Oriente de 1967 e anexado em 1981.
Segundo estimativas das Nações Unidas, mais de 87 mil pessoas foram deslocadas na provÃncia de Sweida desde 12 de julho, devido a intensos bombardeamentos e raptos.
Comunidades inteiras fugiram a pé, estando muitas agora concentradas em escolas, igrejas e edifÃcios públicos sobrelotados e em condições precárias, indicou o Gabinete da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA). Os danos nas infraestruturas cortaram o fornecimento de eletricidade, água e telecomunicações em grande parte da zona. O principal hospital de Sweida operava apenas com 15% da sua capacidade, devido à falta de pessoal e de combustÃvel.
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