PR timorense desvaloriza posição do Myanmar contra adesão de Timor-Leste à ASEAN

Díli, 02 jul 2025 (Lusa) — O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, desvalorizou hoje a posição de Myanmar, que afirmou estar contra a adesão plena de Timor-Leste à Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), prevista para outubro.

“Uma decisão [foi] tomada em cimeira pelos chefes de Estado, não haverá outra que possa alterar aquela decisão. (…) Myanmar não participa a nível de cimeiras de chefe de Estado, nem a nível ministerial, como sanção aplicada pela própria ASEAN na sequência do golpe de 2021”, afirmou o Presidente.

“Não faz a mais pequena diferença”, acrescentou José Ramos-Horta num encontro com os jornalistas na Presidência timorense, em Díli, quando questionado sobre a posição de Myanmar.

Notícias hoje divulgadas em vários órgãos de comunicação social asiáticos indicam que Myanmar enviou uma carta à presidência da Malásia da organização a manifestar que não apoia a adesão de Timor-Leste, porque “não adere ao princípio de não interferência em assuntos internos consagrada na carta da ASEAN”.

Na sequência golpe de Estado de 01 de fevereiro de 2021, Myanmar foi sancionado e não participa nas cimeiras de chefes de Estado e de Governo, nem nos encontros ministeriais.

Os líderes da ASEAN aprovaram em abril de 2021 um consenso de cinco pontos para a junta militar no poder no Myanmar aplicar, mas que até hoje não foi concretizado.

A adesão plena de Timor-Leste à ASEAN vai acontecer na cimeira de chefes de Estado e de Governo a realizar em outubro na Malásia, que assume a presidência rotativa da organização asiática.

Os Estados-membros da ASEAN chegaram a um acordo de princípio em novembro de 2022 para integrar Timor-Leste na organização regional, passando o país a ter estatuto de observador e a poder participar em todas as reuniões, incluindo nas cimeiras.

A ASEAN foi criada em 1967 pela Indonésia, Singapura, Tailândia, Malásia e Filipinas e tem como objetivo promover a cooperação entre os Estados-membros para garantir a paz, a estabilidade e o desenvolvimento económico, social e cultural da região.

Integram também a ASEAN o Brunei Darussalam, Camboja, Laos, Myanmar e o Vietname.

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