
Madrid, 01 jul 2025 (Lusa) – Uma equipa do Instituto de Ciências dos Materiais de Madrid (ICMM-CSIC) desenvolveu um método de descontaminação da água baseado na utilização de nanopartÃculas que adsorvem os poluentes e que os recuperam após o processo.
“A presença de poluentes em meios aquosos é um problema que a sociedade e a indústria têm de resolver atualmente”, afirmou Javier Pérez-Carvajal, investigador do ICMM-CSIC e um dos criadores desta nova fórmula, segundo o CSIC num comunicado de imprensa.
Atualmente, são utilizados diferentes métodos para descontaminar a água utilizando nanopartÃculas e, nestes processos, a remoção ou recuperação das partÃculas é fundamental para evitar a sua libertação no ambiente, mas o seu tamanho nanométrico dificulta a sua fácil sedimentação para serem recuperadas ou retidas pelos processos convencionais.
O processo de adsorção consiste na fixação de moléculas de um fluido (o adsorvido) a uma superfÃcie sólida (o adsorvente).
“Os métodos utilizados envolvem processos de recuperação ou filtração em que o custo é tanto maior quanto menor for o tamanho do poluente”, explicou Pilar Aranda, investigadora do ICMM-CSIC e criadora do novo método.
A solução da equipa consiste na utilização de nanopartÃculas e microcristalinas de uma rede “MOF” (acrónimo de um tipo de material que combina moléculas orgânicas com átomos metálicos) com muitos poros de alguns nanómetros (um milionésimo de milÃmetro), que retêm os poluentes orgânicos na água.
“Estas partÃculas interagem umas com as outras e formam micro objetos que tendem a flutuar à superfÃcie da água, o que facilita a sua remoção depois de terem cumprido a sua função”, explicou Pérez-Carvajal.
Por outro lado, os métodos tradicionais utilizam propriedades fÃsicas para separar as nanopartÃculas da água, como a centrifugação, que utiliza a força centrÃfuga para acelerar a sedimentação, ou a ultrafiltração, em que a água é bombeada através das membranas que retêm as nanopartÃculas, que são maiores do que o tamanho dos poros das pelÃculas, mas nestes casos é necessária uma fonte externa de energia.
“Tradicionalmente, as nanopartÃculas requerem muita energia para a sua recuperação do meio, pelo que, embora sejam muito eficientes na remoção de poluentes orgânicos, a sua remoção pode ser um problema ou exigir a utilização de processos demasiado dispendiosos”, descreveu Aranda.
Este novo desenvolvimento é sustentável porque “reduz o custo de recuperação dos adsorventes de micro e nanopartÃculas ao não requerer a utilização de sistemas de centrifugação ou outros métodos comuns, e também evita a formação de lamas”, acrescentou o investigador.
O ICMM-CSIC informou que se trata de uma tecnologia cuja patente de prioridade europeia já foi aprovada e que está disponÃvel para demonstração em laboratório.
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