
Beira, 30 jun 2025 (Lusa) – A fundação de princÃpios budistas Tzu Chi assistiu, desde 2021, mais de duas mil crianças em situação de desnutrição na provÃncia de Sofala, centro de Moçambique, anunciou hoje a organização.
Em comunicado, a fundação de caridade refere que as crianças foram assistidas no âmbito de uma iniciativa de nutrição em curso nos distritos de Buzi, Nhamatanda, Dondo e Beira, na provÃncia de Sofala, que consiste na distribuição mensal de papas fortificadas e cestas básicas para menores em situação de desnutrição e suas famÃlias.Â
 “Com este projeto, pretendemos eliminar a desnutrição aguda grave, principalmente nesta provÃncia. Devido ao baixo nÃvel socioeconómico, há uma alta incidência de desnutrição”, indica a coordenadora do Projeto de Reabilitação Nutricional na Fundação Tzu Chi Moçambique, Vannesia Figueiredo, citada no comunicado.
Só no ano passado, quase mil crianças com desnutrição foram assistidas naquele ponto do paÃs: “além das papas reforçadas e cestas básicas, nós investimos muito em demonstrações culinárias de modo a incentivar e educar as famÃlias a realizarem práticas saudáveis e mais nutritivas, no dia-a-dia, com alimentos produzidos localmente, a fim de combater a desnutrição”, acrescenta-se no mesmo documento, citando a coordenadora.
O Governo moçambicano lançou, em 20 de junho, uma nova estratégia de segurança alimentar com que pretende reduzir a desnutrição crónica infantil no paÃs, que tem sido agravada pelas alterações climáticas nos últimos anos.
A estratégia visa “ter uma agricultura saudável, nutritiva e em escala que possa resolver o problema alimentar do paÃs”, disse, naquela data, Roberto Albino, ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, ao lançar a nova PolÃtica e Estratégia de Segurança Alimentar e Nutricional (PESAN).
O paÃs tem avançado na redução da insegurança alimentar, mas a desnutrição crónica, especialmente em crianças menores de 5 anos, ainda permanece elevada, afetando 37% deste grupo populacional, de acordo com os dados do Governo divulgados em 2023.
Para enfrentar o problema, foi elaborado o PESAN 2024-2030 visando integrar esforços multissetoriais para garantir a segurança alimentar e nutricional em todo o paÃs, afirmou Roberto Albino.
O documento lançado em 20 de junho visa “fornecer assistência técnica de qualidade, criar mecanismos para incentivar que os que têm formação técnica e profissional tenham espaço para disseminar o conhecimento aos produtores à sua volta”, acrescentou.
De acordo com a secretária executiva do Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional (SETSAN), ao longo dos últimos dez anos, a taxa de desnutrição crónica em crianças menores de 5 anos de idade baixou de 43% (2013) para os atuais 37% (2023), nÃveis considerados ainda muito altos quando comparados com as recomendações da Organização Mundial da Saúde.
Grupos de organizações da sociedade civil no paÃs têm alertado para a urgência no combate à  desnutrição infantil em Moçambique, situação agravada por fatores climáticos e de segurança.
PME (RYR) // MLL
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