
Porto, 28 jun 2025 (Lusa) – Milhares de pessoas coloriram hoje várias artérias do centro do Porto na 20.ª Marcha do Orgulho LGBTI+ da cidade, numa ocupação do espaço público afirmando a sua visibilidade e contra as várias opressões vividas pela comunidade.
A marcha iniciou-se na Avenida dos Aliados e circundou o centro do Porto, preenchendo praticamente metade da Praça da República, a totalidade da Rua da Boavista até à viragem para Cedofeita e a totalidade da Rua de Cedofeita, até chegar ao Largo Amor de Perdição, na Cordoaria.
Ao longo do percurso, entre bandeiras coloridas desde as mais pequenas até à s gigantes, foram visÃveis cartazes com inscrições como “Direito a existir, dever de resistir”, “O mundo precisa do nosso ativismo”, “Antes fufa que fascista”, “O amor é de todas as cores”, “Viver não é só respirar”, “Não há cura para o que não é doença”, “O amor não precisa da tua permissão” ou “Gisberta presente”.
Também foram sendo entoados cânticos como “nem menos, nem mais, direitos iguais”, “a nossa luta é todo o dia contra o machismo, fascismo e homofobia”, “vida independente é para toda a gente”, “o corpo não binário é revolucionário” ou “mulheres com deficiência também estão na resistência”.
“A importância é de ser a vigésima. A importância é de assistirmos a um retrocesso e um ataque à quilo que são as nossas existências. Então, é um dever vir lutar, especialmente para quem pode. Infelizmente estamos cá também por aquelas e por aqueles que não conseguem lutar”, disse hoje à Lusa Filipe Gaspar, da organização, antes do arranque da marcha.
Filipe Gaspar considerou que “esse imperativo este ano é mais forte precisamente para lutar contra essas ameaças que vêm das linhas orientadoras da extrema-direita”, sendo o objetivo da marcha “vir para a rua ocupar o espaço público”.
“O discurso de ódio tem crescido de forma horrorosa. Basta ver os comentários que vemos nas páginas dos jornais, que para nós é um constante ataque”, lamentou, pedindo à s pessoas que imaginem o que seria “todos os dias abrir um jornal e ver a sua identidade ou a sua forma de existir atacada”.
Precisamente sobre os comentários que incentivam as pessoas LGBTI+ a não se expressarem publicamente, Filipe Gaspar considera que “esse tipo de crÃtica vem de um lugar de preconceito – que todos temos, por isso isto não é um insulto a ninguém” – alicerçado numa sexualização errónea das pessoas.
“Só que nós estamos a falar de afeto”, bem como do “direito à famÃlia, é isso que estamos a reivindicar, e também querem que nós fiquemos em casa, que escondamos as nossas famÃlias, a forma do nosso afeto”, prosseguiu.
Filipe Gaspar afirmou que se quem critica viesse a uma marcha poderia “desconstruir muitos preconceitos e estereótipos em relação à s pessoas que frequentam este lugar, este espaço e estas existências”.
“É mesmo baixar as guardas e ouvirmos. Nós somos pessoas, nós somos seres humanos como qualquer pessoa, temos sentimentos, e não queremos ser reduzidos a seres sexuais, sexualizados ou fetichizados. Não queremos estar nesse lugar, queremos efetivamente estar no lugar de toda a gente: no trabalho, nas instituições, na polÃtica”, vincou.
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