
Londres, 24 jun 2025 (Lusa) – Os atos de espionagem por parte da China e as tentativas de Pequim de minar a democracia e a economia do Reino Unido têm aumentado nos últimos anos, denunciou hoje o Governo britânico num relatório.
O secretário dos Negócios Estrangeiros, David Lammy, anunciou que o Governo vai investir 600 milhões de libras (700 milhões de euros, à taxa de câmbio atual) em serviços de inteligência após estas descobertas.
“Os casos de espionagem, interferência na nossa democracia e ataques à nossa segurança económica por parte da China aumentaram nos últimos anos”, pode ler-se nas conclusões da auditoria à s relações de Londres com Pequim encomendada pelo primeiro-ministro Keir Starmer após a sua tomada de posse há um ano.
O relatório recomenda, por isso, o reforço da resiliência face à ameaça representada por Pequim, ao mesmo tempo que defende um elevado nÃvel de comprometimento nas “relações comerciais e de investimento”.
“Entendemos que a China representa uma ameaça sofisticada e persistente”, mas “não se envolver com a China não é uma opção”, vincou David Lamy aos deputados.
“Cooperaremos onde pudermos e desafiaremos onde for necessário”, garantiu Lammy, acrescentando que o executivo britânico nunca irá “comprometer a segurança nacional”.
O governo trabalhista, eleito em julho, procura melhorar as relações com Pequim, que têm estado bastante tensas durante os últimos governos conservadores.
Os motivos incluem as crÃticas de Londres à s restrições à s liberdades em Hong Kong, ao tratamento dado à minoria muçulmana uigur em Xinjiang e uma série de acusações mútuas de espionagem.
O degelo acelerou-se em novembro de 2024 com um encontro entre Keir Starmer e o Presidente chinês Xi Jinping, à margem do G20 no Brasil, o primeiro entre os lÃderes destes dois paÃses desde 2018.
Starmer espera que o investimento chinês o ajude a cumprir a sua principal missão, reanimar a economia britânica.
Cerca de trinta organizações, incluindo os Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e a Amnistia Internacional, pediram hoje ao primeiro-ministro britânico que se reunisse com Sebastian Lai, filho do magnata dos media Jimmy Lai, que tem nacionalidade britânica e está preso em Hong Kong desde o final de 2020.
A publicação deste relatório surge também numa altura em que o governo de Starmer deverá decidir sobre o polémico plano de transferir a embaixada chinesa para um local histórico no centro de Londres.
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