
Bissau, 23 jun 2025 (Lusa) — O representante da Câmara do Comércio da Guiné-Bissau no Irão, Idrissa Ganó, disse hoje que alguns cidadãos guineenses no estado persa, a maioria estudantes, querem regressar ao seu paÃs devido à guerra e pedem apoio à s autoridades.
Em entrevista telefónica à agência Lusa a partir da cidade iraniana de Qom, Idrissa Ganó, guineense formado no Irão em Relações Internacionais, afirmou que “alguns guineenses querem sair do Irão” porque “temem que a guerra se intensifique”.
O também professor universitário da lÃngua portuguesa, árabe e ciências discursivas, descreveu dificuldades para as pessoas se deslocarem, com estradas fechadas, depois de domingo os Estados Unidos terem entrado no conflito, iniciado a 13 de junho com ataques de Israel ao Irão, bombardeando instalações nucleares naquele paÃs do Médio Oriente.
Ganó ressalvou não ser representante oficial da Guiné-Bissau na República Islâmica do Irão, mas disse que tenta ajudar os guineenses valendo-se do conhecimento que tem no paÃs e da lÃngua persa.
De acordo com Idrissa Ganó, o número de cidadãos guineenses no Irão “não ultrapassa 50 pessoas, contando com crianças recém-nascidas” e que a sua maioria são estudantes.
As pessoas que estariam interessadas em regressar à Guiné-Bissau seriam na sua maioria estudantes residentes na cidade de Qom, a 156 quilómetros a sudeste de Teerão, detalhou o representante da Câmara do Comércio guineense.
O próprio Ganó vive e trabalha em Qom, cidade que, além de albergar grande número de estrangeiros, também é onde ficam as instalações de uma central de enriquecimento do urânio, bombardeada pelos Estados Unidos, no domingo.
O professor guineense disse à Lusa que “não deu para ouvir as explosões” na zona onde se encontrava no dia do ataque norte-americano, mas que a vida em Qom “sofreu mudanças” ao ponto de o próprio não conseguir viajar para Teerão como costuma fazer.
“Não se consegue viajar. Algumas estradas estão cortadas”, afirmou Ganó que pede à s autoridades guineenses para providenciarem apoios para os cidadãos que querem sair do Irão.
Idrissa Ganó observou que as embaixadas de paÃses africanos como Nigéria, Senegal e Serra-Leoa estão a recensear os seus cidadãos em Qom no sentido de os tirar do paÃs assim que possÃvel.
Em agosto de 2010, o então Presidente guineense, Malam Bacai Sanhá, entretanto falecido, efetuou uma visita de Estado ao Irão e anos depois os dois paÃses estabeleceram relações diplomáticas que resultaram na abertura de uma embaixada do paÃs africano em Teerão.
Na entrevista à Lusa, Idrissa Ganó avançou, contudo, que a embaixada guineense “fechou as portas há muitos anos”.
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