
Lisboa, 18 jun 2025 (Lusa) — O presidente do Chega, André Ventura, assegurou hoje que o Governo pode contar com o “pragmatismo e responsabilidade” do seu partido em matérias de Defesa e defendeu uma maior autonomia da União Europeia nesta matéria.
“Nesta matéria [o Governo] contará com o Chega para pragmatismo, responsabilidade e decisão o mais rápido possÃvel, porque esta é uma área que obriga e implica a ação rápida da parte do Governo de Portugal, visto que estamos muito atrasados em relação à quilo que devÃamos ter feito”, considerou André Ventura, em declarações aos jornalistas na residência oficial do primeiro-ministro, em Lisboa.
O lÃder do Chega falava após uma reunião de cerca de uma hora com LuÃs Montenegro convocada pelo executivo, também com o PS, a propósito da cimeira da NATO que vai decorrer na próxima semana na cidade de Haia, PaÃses Baixos.
Ventura rejeitou fazer “jogo polÃtico” ou “confronto” com a área da Defesa e escusou-se a partilhar detalhes do plano que o Governo diz ter para atingir os 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em despesas militares já este ano, objetivo incluÃdo no programa do executivo e que inicialmente estava previsto para 2029.
“Concordei genericamente com o que disse o primeiro-ministro nesta matéria, acho que estamos de acordo em relação à s metas que é preciso alcançar. É evidente que estamos ainda a falar de uma conversa preliminar, tanto quanto percebi também, nem em termos orçamentais, nem em termos de investimento estrutural, este plano está completamente definido, porém há a vontade de fazer, de alcançar essas metas”, adiantou.
Interrogado sobre se é possÃvel para Portugal atingir a meta dos 5% do PIB em despesas militares, que será proposta aos aliados na cimeira da NATO na próxima semana, e que tem sido defendida pela administração Trump, Ventura considerou que Portugal não tem atualmente condições para chegar a esse patamar de investimento.
“Neste momento 5% é impraticável em Portugal, para sermos honestos. Portanto, nós temos que ser realistas, quem disser que o fará de um dia para o outro, não o fará. Porém, temos que compreender que estamos num contexto de guerra regional, local e com impacto internacional, e provavelmente vamos ter que ir alargando progressivamente estas metas”, salientou, rejeitando que esteja em causa uma meta imposta por uma determinada administração.
Na ótica de Ventura, “há muito tempo que a Europa devia ter assumido a sua própria indústria e o seu próprio mercado interno de Defesa”.
“Se os europeus puderem produzir, vender, comprar e aplicar, para que é que estamos a recorrer aos norte-americanos ou aos chineses se podemos ter indústria própria? Não tem a ver com o Presidente Donald Trump necessariamente, tem a ver com que a Europa deve ser autónoma nesta matéria”, advogou.
O primeiro-ministro, LuÃs Montenegro, reiterou hoje que o reforço do investimento em Defesa não afetará o equilÃbrio das contas públicas nem as despesas sociais e manifestou abertura aos contributos da oposição, em especial dos maiores grupos parlamentares.
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