
São Paulo, 17 jun 2025 (Lusa) — A polÃcia brasileira pediu hoje o indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e mais de 30 pessoas citadas numa investigação sobre o uso da Agência Brasileira de Inteligência para espionar adversários e disseminar informações falsas sobre o sistema eleitoral.Â
Num comunicado, a autoridade policial informou que “concluiu o inquérito que apura a existência de uma alegada organização criminosa dedicada ao monitoramento ilegal de autoridades públicas e à produção de notÃcias falsas, utilizando-se de sistemas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), no caso que ficou conhecido como Abin Paralela”.
Além do ex-presidente, a autoridade policial brasileira pediu o indiciamento do vereador Carlos Bolsonaro, do deputado federal Alexandre Ramagem, que chefiou o órgão na administração anterior, e também o atual diretor da Abin, Luis Fernando Corrêa, por obstrução da Justiça.
O relatório final foi encaminhado para o Supremo Tribunal Federal (STF) e o procedimento segue em tramitação sob sigilo.
Jair Bolsonaro, Ramagem e Corrêa ainda não se pronunciaram.
Já Carlos Bolsonaro, vereador do Rio de Janeiro e filho do ex-presidente, afirmou nas redes sociais que o pedido de indiciamento contra si seria um ato polÃtico relacionado com as eleições de 2026.
“Alguém tinha alguma dúvida que a PolÃcia Federal do Lula (uma referência ao atual Presidente brasileiro) faria isso comigo? Justificativa? Creio que os senhores já sabem: eleições em 2026? Acho que não! É só coincidência!”, escreveu Carlos Bolsonaro na rede social X.
Um relatório da PolÃcia Federal divulgado em julho de 2024 sobre o caso indicou haver indÃcios de que ocorreram ações de espionagem ilegal contra parlamentares aliados e adversários do ex-presidente Bolsonaro, contra juÃzes do Supremo Tribunal Federal (STF) e jornalistas.
O escândalo de espionagem eclodiu em outubro de 2023 quando a primeira operação policial ligada a este caso resultou na prisão de dois funcionários da Abin suspeitos de terem utilizado ilegalmente o ‘spyware’ israelita FirstMile.
Adquirido pelo Governo brasileiro no final de 2018, pouco antes de Bolsonaro chegar ao poder, este ‘software’ permite a geolocalização de indivÃduos através do sinal emitido pelos seus telemóveis.
Através desta ferramenta de espionagem, os dados dos alegados alvos espionados ilegalmente a pedido do ex-governante e do seu grupo polÃtico teriam sido coletados de telemóveis e antenas para conseguir identificar o último local conhecido em que estiveram.
Com a entrega do pedido de indiciamento de Bolsonaro e os outros envolvidos, cabe agora a Procuradoria-Geral da República (PGR) brasileira analisar os dados levantados na investigação para decidir se apresentará ou não uma acusação formal contra os envolvidos junto ao Supremo Tribunal Federal (STF).
 CYR // ANP
Lusa/Fim



