
Grândola, Setúbal, 05 jun 2025 (Lusa) — O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, reiterou que vai apresentar uma moção de rejeição ao novo Governo da AD, que tomou hoje posse, deixando criticas à “mesma polÃtica” de direita, aos “mesmos cúmplices” e “apoiantes”.
“Novo Governo, a mesma polÃtica, os mesmos cúmplices e os mesmos apoiantes dessa polÃtica. Aquilo que precisamos é que se cumpra e faça cumprir a Constituição no que diz respeito aos salários, à s pensões, ao Serviço Nacional da Saúde [SNS], à Habitação, na Educação, nos Direitos das Crianças, na Paz, na Justiça”, afirmou o lÃder comunista.
Em declarações aos jornalistas, em Grândola, no distrito de Setúbal, à margem da apresentação da cabeça de lista da CDU à câmara deste concelho nas eleições autárquicas deste ano, Fátima Luzia, o secretário-geral do PCP disse que vai manter a moção de rejeição ao Governo.
“Claro, não é uma moção de rejeição à s pessoas do Governo, não é a A, B ou C”, mas “à polÃtica do Governo”, afiançou Paulo Raimundo, acrescentando que o novo executivo de LuÃs Montenegro vai “acentuar o que vem de trás”.
O PCP, disse, não olha “para as composições, as pessoas não são irrelevantes, o que conta é a polÃtica, mas se duvidas houvesse sobre a polÃtica basta ver a grande continuidade deste Governo para perceber o que aà está”.
Questionado sobre as suas preocupações em relação à s polÃticas do atual Governo, Paulo Raimundo argumentou que o paÃs “não pode esperar nada” relativamente a matérias como a saúde, a educação ou a habitação.
“Tivemos um Governo que apostou tudo a desmantelar o SNS” e que “na 25.ª hora encaminhou-se para privatizar 174 centros de saúde e mais cinco hospitais pelas vias das PPP”, exemplificou.
E acrescentou que, neste momento, “temos 85 mil estudantes sem um professor a alguma disciplina, vão sair 4 mil professores no final do ano letivo e vão entrar 400, o que se pode esperar deste Governo”.
Já no que respeita à polÃtica de habitação, argumentou, “todas as medidas que [o Governo] tomou não foi para resolver nenhum problema”, mas “para criar um nicho para jovens endinheirados” quando “todos os outros ficaram de fora”.
“O que se pode esperar de um Governo que persiste na ‘lengalenga’ [de] que é preciso crescer para depois distribuir, quando temos mais de 2,5 milhões de trabalhadores que ganham menos de mil euros de salário por mês brutos e 800 mil trabalhadores que ganham o salário mÃnimo nacional e ao mesmo tempo temos esta concentração cada vez maior da riqueza”, sublinhou.
Para Paulo Raimundo, o Governo que hoje tomou posse vai “continuar o que tem em curso” e até fazer “pior” no caso da Segurança Social e do SNS.
“Quer por a mão no dinheiro da Segurança Social, quer de uma vez por todas abrir o pacote das privatizações, quer continuar e acelerar o desmantelamento do SNS e quer alterar as leis laborais que, na prática, significa mais precariedade para acrescentar à precariedade que já existe”.
E reafirmou que, da parte do PCP, só se pode esperar o confronto: “Ou amochamos e ficamos à espera que o tempo leve ou enfrentamos. Há uns que amocham, da nossa parte enfrentamos”, concluiu.
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