
Damasco, 21 mai 2025 (Lusa) – As autoridades da SÃria celebraram o levantamento das restantes sanções económicas impostas pela União Europeia (UE) contra o regime do ex-Presidente Bashar al-Assad, uma decisão que descreveram como histórica.
Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros sÃrio saudou a medida, em que viu “o inÃcio de um novo capÃtulo nas relações” entre o paÃs árabe e o bloco europeu.
A diplomacia da SÃria destacou o compromisso da UE com o processo de “transição da SÃria para um futuro baseado na estabilidade, nos direitos humanos, na recuperação económica e na cooperação internacional”.
O ministério agradeceu ainda a Bruxelas o “apoio ao povo sÃrio na sua reconstrução”, lembrando que o paÃs árabe “herda (…) uma infraestrutura devastada [e] uma economia desarticulada”.
A SÃria salientou ainda que a decisão da UE permitirá “melhorar a cooperação polÃtica e de segurança [e] garantir benefÃcios mútuos” para ambas as partes.
As autoridades do paÃs árabe atribuÃram o levantamento das sanções por parte da UE à “resistência dos sÃrios dentro e fora do paÃs”.
“Com o apoio de campanhas intensivas de divulgação nas capitais europeias, desempenharam um papel fundamental na abertura de caminho para novas parcerias baseadas na confiança, transparência e cooperação”, acrescentou.
“Hoje, o que a SÃria precisa mais do que nunca são amigos, não obstáculos. Procuramos verdadeiros parceiros para reconstruir as nossas cidades, voltar a ligar a nossa economia ao mundo e curar as feridas do conflito”, disse o ministério.
Os chefes da diplomacia da UE concordaram na terça-feira com o levantamento das restantes sanções à SÃria, que tinham sido impostas durante o regime de Bashar al-Assad, deposto em dezembro por uma coligação de inspiração islamita.
A suspensão não afeta, no entanto, as medidas dirigidas aos responsáveis da repressão durante o regime de Al-Assad, que fugiu para a Rússia, e pelas violações dos direitos humanos ainda em vigor.
O acordo para levantar as sanções económicas conclui uma decisão inicial dos 27 do bloco europeu, que já tinham levantado as restrições aos setores da energia e dos transportes em janeiro, como primeira resposta à queda do regime.
Apesar de o anterior lÃder rebelde e atual Presidente de transição, Ahmad al-Sharaa, prometer uma SÃria inclusiva, o paÃs tem testemunhado nos últimos meses confrontos sangrentos entre as novas forças de segurança, de maioria sunita, e as minorias religiosas alauita, a que pertence Al-Assad, e drusa, que tem o apoio de Israel.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, avisou na terça-feira no Senado (câmara alta do Congresso), em Washington, que a SÃria pode estar a semanas de uma “guerra civil em grande escala”, o que significa a desintegração do paÃs”, dias depois de se ter reunido com lÃderes do regime de transição.
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