
Matosinhos, Porto, 06 mai 2025 (Lusa) — O presidente do Chega afirmou hoje que a inclusão de Cristina Rodrigues na lista de candidatos a deputados foi uma “decisão ponderada” e procurou distanciar o processo em que é acusada de casos que envolvem protagonistas do PSD.
“Nós distinguimos muito bem, eu tomei uma decisão ponderada na indicação de Cristina Rodrigues, pelo trabalho que tinha feito”, afirmou André Ventura, que tinha a deputada ao lado.
Em declarações aos jornalistas antes da visita ao Mercado Municipal de Matosinhos (distrito do Porto), o presidente do Chega foi questionado sobre a atual deputada Cristina Rodrigues, ex-dirigente do PAN, voltar a integrar as listas de candidatos a deputados do Chega, mesmo sendo acusada pelo Ministério Público de um “crime de dano relativo a programas ou outros dados informáticos”, e outro de “acesso ilegÃtimo” aos ficheiros informáticos do PAN. O julgamento arranca na quarta-feira.
“Há uma grande diferença entre a Cristina Rodrigues, entre o Hernâni Dias, entre o Miguel Albuquerque, entre o LuÃs Montenegro e entre outros. É que a Cristina Rodrigues é acusada pelo seu antigo partido de ter levado a cabo atos menos próprios”, sendo acusada pela Justiça “de ter apagado e-mails” do PAN, indicou.
O lÃder do Chega sustentou que a questão prende-se com a diferença dos crimes e lembrou que também já teve de ir a tribunal por declarações que proferiu e por ações de campanha durante a pandemia de covid-19, que contrariaram as recomendações das autoridades de saúde.
“Eu deixei de ser lÃder do Chega? Não. Agora, qual é a diferença disto tudo? É que nós, quando temos alguém que rouba os portugueses, que desvia dinheiro para meter ao bolso, que desvia dinheiro dos contribuintes para benefÃcio próprio, nós não temos dúvidas, nós pegamos nele e tiramo-lo. Somos um partido de tolerância zero com a corrupção. Não me venham cá falar agora de apagar e-mails do antigo partido”, defendeu.
Ventura considerou estar em causa “um litÃgio de um partido contra uma deputada” e acusou o PAN de “perseguir” a número três da lista do Chega pelo cÃrculo eleitoral do Porto, “porque saiu de um partido que está falhado, e que está com um deputado, para um partido que tem 50 deputados e que está em crescimento”.
Questionado se Cristina Rodrigues se manterá na bancada do Chega caso seja condenada, o presidente do partido respondeu: “A bancada do Chega não tem corruptos”.
Quando os jornalistas abordaram este tema, os apoiantes que acompanharam a iniciativa começaram a gritar “Ventura, Ventura” atrás do lÃder do Chega, o que o levou a parar de responder durante breves segundos, retomando quando se fez silêncio.
André Ventura assinalou o apoio, dizendo que o partido estava “cheio de gente” na visita ao Mercado Municipal de Matosinhos, e referiu que não iria “fugir à questão”.
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