
Washington, 02 mai 2025 (Lusa) — Os Estados Unidos condenaram como “repreensÃvel e inaceitável” a vaga de violência sectária na SÃria, que causou mais de 70 mortos, na maioria combatentes da comunidade drusa.
“A recente violência e a retórica inflamada dirigida aos membros da comunidade drusa na SÃria são repreensÃveis e inaceitáveis”, disse na quinta-feira a porta-voz do Departamento de Estado.
“As autoridades interinas [da SÃria] devem pôr fim aos conflitos, responsabilizar os responsáveis pela violência e pelos danos causados aos civis e garantir a segurança de todos os sÃrios”, acrescentou Tammy Bruce, em comunicado.
Os Estados Unidos confirmaram ainda que já se reuniram com o chefe da diplomacia da SÃria, Assaad al-Shaibani, ao qual pediram para tomar medidas contra o sectarismo.
Na passada sexta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros sÃrio hasteou a nova bandeira do paÃs na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, marcando um novo capÃtulo após a deposição do lÃder Bashar al-Assad, em dezembro.
A porta-voz do Departamento de Estado confirmou que as autoridades norte-americanas se reuniram com a delegação sÃria em Nova Iorque na terça-feira.
Tammy Bruce disse que os Estados Unidos pediram à s autoridades de Damasco que “escolhessem polÃticas que fortalecessem a estabilidade”, sem fornecer uma avaliação do progresso.
Dois dias de violência sectária na SÃria causaram mais de 70 mortos, na maioria combatentes drusos, anunciou na quinta-feira o Observatório SÃrio dos Direitos Humanos (OSDH).
A organização disse que 30 membros das forças de segurança do governo islâmico foram mortos, bem como 15 combatentes drusos e um civil durante confrontos em Jaramana e Sahnaya, perto de Damasco, na terça e na quarta-feira.
Na provÃncia meridional de Sueida, um reduto da comunidade drusa perto de Israel, 27 combatentes drusos foram mortos na quarta-feira, segundo o OSDH, citado pela agência de notÃcias France-Presse (AFP).
O OSDH é uma organização não-governamental (ONG) com sede no Reino Unido, mas com uma vasta rede de informadores por toda a SÃria.
O lÃder religioso druso na SÃria denunciou na quinta-feira uma “campanha genocida” contra a comunidade e apelou para uma intervenção internacional.
O xeque Hikmat al-Hajri descreveu os acontecimentos em Jaramana e Sahnaya como uma “campanha genocida injustificada”, que tem como alvo “civis nas suas casas”.
O lÃder religioso apelou à “intervenção imediata das forças internacionais de manutenção da paz”, num comunicado citado pela AFP.
O governo sÃrio rejeitou os apelos à “proteção internacional” de grupos que descreveu como “fora da lei”.
Os drusos, cujo número é calculado em cerca de 700 mil, são vistos com desconfiança pela corrente sunita extremista de que provêm as novas autoridades.
Esta comunidade, descendente de um ramo do Islão, representa cerca de 3% da população sÃria e vive principalmente no sul, perto de Israel.
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