
Maputo, 23 abr 2025 (Lusa) — O secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação português, Nuno Sampaio, disse hoje que Portugal tem esperança no novo ciclo de governação em Moçambique, manifestando abertura para apoiar reformas institucionais no paÃs africano.
“O Governo de Portugal quer assim reiterar todo o seu apoio ao desenvolvimento de Moçambique, toda a sua esperança no novo ciclo. Que traga mais desenvolvimento e que traga também o reforço das relações entre Portugal e Moçambique”, declarou à comunicação social Nuno Sampaio, no primeiro dia de uma visita de trabalho de três dias à capital moçambicana, Maputo.
Quando se inicia um novo ciclo de governação no paÃs, que foi à s urnas para eleições gerais em outubro do ano passado, segundo Nuno Sampaio, Portugal está disponÃvel para apoiar “todas as reformas institucionais que o Governo de Moçambique entenda fazer”.
“Portugal, a nÃvel técnico, está disponÃvel para ser o parceiro do Governo de Moçambique neste ciclo de reformas”, acrescentou Nuno Sampaio, que falava, em Maputo, após uma reunião com a secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Moçambicanas no Exterior, Maria Manso.
Segundo o responsável, o reforço da cooperação na cultura, educação e saúde também é uma prioridade, bem como no setor empresarial, lembrando que atualmente cerca de 500 empresas portuguesas operam no paÃs africano.
“Há vontade do Governo de Moçambique de reforçar essas relações económicas e empresariais e Portugal está disponÃvel, (…) as relações entre Moçambique e Portugal são excelentes. São relações entre paÃses que partilham a mesma lÃngua e laços de solidariedade”, frisou Nuno Sampaio.
Um novo executivo tomou posse em janeiro em Moçambique, saÃdo das eleições gerais de 09 de outubro, um escrutÃnio que ficou marcado pela pior contestação aos resultados eleitorais que o paÃs africano conheceu desde as primeiras eleições multipartidárias (1994).
Os protestos, liderados pelo antigo candidato presidencial Venâncio Mondlane, provocaram a morte de cerca de 390 pessoas em confrontos com a polÃcia, segundo organizações não-governamentais que acompanham o processo eleitoral, com o Governo moçambicano confirmar pelo menos 80 óbitos, além da destruição de 1.677 estabelecimentos comerciais, 177 escolas e 23 unidades sanitárias durante as manifestações.
Contudo, em 23 de março, Mondlane e o Daniel Chapo, Presidente já empossado, encontraram-se pela primeira vez e foi assumido o compromisso de acabar com a violência pós-eleitoral no paÃs, embora, atualmente, crÃticas e acusações mútuas continuem nos posicionamentos públicos dos dois polÃticos.
Em 05 de março, Chapo e os principais partidos polÃticos assinaram um compromisso para a pacificação do paÃs, um documento já aprovado pelo parlamento e que prevê, entre outros aspetos, revisões à lei eleitoral e à Constituição, bem como aos poderes do Presidente.
A visita de Nuno Sampaio termina na sexta-feira e, além de encontros com quadros do MNE moçambicano, o secretário de Estado português vai manter encontros com a ministra da Educação e Cultura de Moçambique, Samaria Tovela, e a delegação da União Europeia no paÃs africano.
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