
Los Angeles, 22 abr 2025 (Lusa) – O criador da série Star Wars “Andor” inspirou-se em rebeliões históricas para escrever a génese da aliança rebelde na segunda temporada, que se estreia a 23 de abril no serviço Disney+ Portugal e vai ter 12 episódios.Â
“Em diferentes momentos da minha vida, passei seis meses a ler sobre a revolução russa, a revolução francesa, a revolução haitiana”, disse Tony Gilroy, em resposta à Lusa, durante uma mesa redonda sobre a nova temporada.
“Quando começámos a fazer esta série complementei essa coleção e percebi que isto é uma história constante”, explicou. “Seis mil anos de história humana não são mais que rebelião e insurreição. E os momentos de paz e prosperidade são poucos e apartados no tempo”.Â
Essa consciencialização, que permitiu ir buscar muitas analogias reais para compor “Andor”, foi “deprimente e entusiasmante” ao mesmo tempo, indicou Gilroy.Â
Situada no tempo cinco anos antes da Batalha de Yavin — o momento em que a Estrela da Morte é destruÃda por Luke Skywalker no filme “Uma Nova Esperança” — a segunda temporada da série está dividida de uma forma inovadora: cada três episódios representam um ano. A ação é imediatamente seguida dos acontecimentos do filme “Rogue One”.Â
“Foi uma forma entusiasmante de contar a história”, afirmou Tony Gilroy, explicando que essa escolha que no inÃcio parecia radical permitiu organizar melhor tudo o que pretendia incluir na temporada.Â
O ponto focal é o Massacre de Ghorman, que no cânone de Star Wars se torna um momento crucial para a formação da Aliança Rebelde contra o Império Galáctico.Â
“Esse é o momento incitante que leva Mon Mothma a fazer um grande discurso e a deixar o Senado”, lembrou Gilroy, referindo-se à personagem interpretada por Genevieve O’Reilly, que foi uma das fundadoras da Aliança Rebelde.Â
Igualmente importante é a figura algo misteriosa de Luthen Rael, encarnado pelo ator Stellan SkarsgÃ¥rd, que lidera uma rede rebelde a partir da sua galeria de antiguidades.Â
“Ele tem um objetivo que é a revolução, é isso que o move”, indicou o ator na mesa redonda. “Mas ele também tem uma espécie de dÃvida para com a Kleya”, continuou, mencionando a personagem interpretada por Elizabeth Dulau e que tem causado muita especulação entre os fãs de Star Wars.Â
Essa lealdade para com Kleya Marki e os seus próprios pensamentos sobre o que é certo e errado são o que o torna um revolucionário, acrescentou o ator. Independentemente de como venha a ser encarado.Â
“É quase impossÃvel julgar o que é ir longe demais, porque todas as revoluções têm sacrifÃcios”, considerou SkarsgÃ¥rd. “Ele tem esta ideia de como realizar esta revolução. Morrerá? Vai sacrificar qualquer pessoa, incluindo ele mesmo, para atingir o objetivo”.Â
Esse foco unÃvoco leva a alguma confrontação com o protagonista Cassian Andor (Diego Luna), que no inÃcio da história não tinha ideias rebeldes e se torna um revolucionário reticente.Â
“O que gosto aqui é que nada é fácil para ninguém. E não há um bem ou mal claros, é complicado”, analisou SkarsgÃ¥rd. “Complicar é o nosso dever, ao invés de simplificar a realidade”.Â
“Andor” é considerada pela crÃtica uma das melhores séries de todo o universo Star Wars e a mais autêntica em relação à trilogia original.
A segunda e última temporada será lançada em blocos de três episódios por semana a partir de 23 de abril, terminando a 14 de maio.
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